Fernando Freitas e José Lucena debatem: Efeitos da 2° onda do Covid na economia

09/03/2021

Por: Jessyanne Bezerra

 

No Debate Potiguar Notícias, o auditor fiscal, Fernando Freitas, e o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL), José Lucena, discutem o tema relacionado aos efeitos da segunda onda do covid-19 na economia. A mediação é feita pelo jornalista Pinto Júnior.

O Brasil se tornou o novo epicentro da pandemia do novo coronavírus somando mais de meio milhão de pessoas diagnosticadas com COVID-19, segundo os dados divulgados pelo Ministério da Saúde. O número exponencial de casos da doença e vidas interrompidas dividem espaço com os resultados negativos da economia brasileira e as tensões no cenário político. Com essa crise, alguns economistas acreditam que o país caminha para a recessão no próximo semestre.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL), José Lucena afirmou: “Estamos muito preocupados, porque na primeira fase da pandemia, o empresário de certa maneira tinha algo para trabalhar, mas agora o empresário está tendo que cortar do próprio sustento e não tem mais o que cortar”

A economia brasileira já caminhava a passos lentos rumo à recuperação, mas a pandemia transformou todo otimismo em projeções sombrias, ampliando as desigualdades e provocando um ambiente de muita insegurança. “Reconhecemos os esforços que os nossos governantes estão fazendo, o estado é um dos poucos que não entrou totalmente em lockdown e o comércio consegue funcionar. Aqui a gente ainda está conseguindo juntar o melhor do trabalho com a saúde” declarou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal.

“Mostramos na primeira fase, assim que conseguimos a reabertura, fizemos na CDL o S.O.S Protocolo. Foi um programa que desenvolvemos em que visitamos 3.000 lojistas na capital e checávamos todos os itens para que o lojista trabalhasse nas normas da OMS. E conseguimos deixar o comércio em norma, quando o comércio abriu em Maio-Junho, não tivemos problemas com a pandemia” declarou José Lucena.

Com a necessidade de adotar o distanciamento social e evitar aglomerações, a atividade turística foi diretamente afetada. Pontos turísticos foram fechados, voos suspensos, eventos cancelados, fronteiras interditadas, hotéis, pousadas, bares e restaurantes obrigados a fechar as portas. Em todo o Brasil, de acordo com a Confederação Nacional de Comércio, Serviços, Bens e Turismo (CNC), o setor já acumula perdas de R$ 87,7 bilhões em apenas três meses, desde que teve início a pandemia. “O maior impacto e o que gerou uma certa reação justamente do setor que está mais atingido desde o começo que é o setor de bares e restaurantes e o turismo” afirmou Fernando Freitas

Em relação ao auxílio emergencial, o auditor fiscal, Fernando Freitas esclareceu “o que vai ajudar muito nessa questão do isolamento é justamente o auxílio emergencial. É uma pena que seja só de R$ 250, é muito pouco para a população que necessita. Deveria ir ao menos a R$ 500 para ajudar no consumo e movimentar a economia”

 

O tombo da economia brasileira em números

 

Em 2021, o governo ainda não anunciou medidas emergenciais de combate à pandemia, que tem registrado crescimento de casos e de mortes nas últimas semanas. O auxílio emergencial, principal medida de apoio à população carente, que também sustentou a atividade no ano passado, ainda não foi renovado.

O dólar opera em forte alta nesta terça-feira (9), acima de R$ 5,80, após fechar em R$ 5,778. Na segunda-feira (8), o dólar teve forte avanço de 1,70%, cotada a R$ 5,7788 - maior valor desde 15 de maio de 2020. No mês, a moeda acumula avanço de 3,11%. No ano, de 11,40%.

O Ibovespa caiu 3,98%, a 110.611 pontos. 

Os preços no atacado – e a alta dos combustíveis – voltaram a pressionar, e o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou nova alta acentuada em fevereiro, de 2,71%.

A taxa ficou abaixo dos 2,91% de janeiro – mas levou o índice acumulado em 12 meses a 29,95%, informou nesta segunda-feira (8) a Fundação Getulio Vargas (FGV). É o maior patamar desde maio de 2003, quando a taxa foi de 30,05%.

 

 

PIB em queda 

Foi o maior tombo desde o início da série histórica atual do IBGE, iniciada em 1996. PIB per capita também teve queda recorde, de 4,8%. Apenas a agropecuária cresceu; indústria recuou 3,5% e serviços, 4,5%. Ritmo de recuperação desacelerou no 4º trimestre e economia encerrou o ano no mesmo patamar do início de 2019.

Com o tombo histórico de 4,1% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2020, o Brasil saiu do ranking das 10 maiores economias do mundo e caiu para a 12ª colocação, segundo levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating. Em 2019, o Brasil ficou na 9ª posição. O Brasil já brilhou nesse ranking anual britânico. Em 2011, o estudo da CEBR mostrava pela primeira vez o Brasil, no Governo Lula, como 6ª maior economia do mundo à frente do Reino Unido.

Às dificuldades econômicas que vêm de antes da pandemia, soma-se o combate errático ao novo coronavírus pelo governo federal. “A pandemia não foi só no Brasil, foi no mundo inteiro, porém sem governo para ajudar o caos se instaurou aqui no país” afirmou Fernando Freitas.

Desemprego subindo

Pesquisa de Expectativa de Emprego do ManpowerGroup mostra que 69% dos empregadores não pretendem fazer alterações no quadro de funcionários, enquanto 21% têm intenção de contratar e 8% esperam reduzir as equipes no 2º trimestre.

 

Encolhimento da produção industrial 

 

A pandemia do COVID-19 derrubou o setor industrial em 18,8% em abril, na comparação com mês de março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a queda, a produção ficou 38,3% abaixo de pico histórico no Brasil. 

O tombo impactou 22 dos 26 setores econômicos, com destaque para a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias que caiu 88,5%, na comparação com março e 92,1% na avaliação anual. 

O encolhimento também afetou as categorias de couro, artigos para viagem e calçados (-48,8%), bebidas (-37,6%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-37,5%), máquinas e equipamentos (-30,8%) e produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-18,4%).

Por outro lado, o setor industrial registrou crescimento nos produtos alimentícios (3,3%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,6%). Ademais, a produção de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal subiu (1,3%). 

 

Para saber mais, assista o debate na íntegra: https://youtu.be/xg2Ck9nnHhI