Casa não é lugar seguro para mulheres vítimas de violência, diz CRP-RN

08/03/2021


 
No primeiro 8 de março no contexto de pandemia, o Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Norte (CRP-17/RN) chama atenção para a necessidade de políticas públicas efetivas para proteção da mulher, que mesmo em casa estão ameaçadas por um inimigo: o machismo. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os registros de violência doméstica durante o primeiro semestre da pandemia no 190 aumentaram em 3,8%, totalizando mais de 147 mil chamados.  Outro dado alarmante é a morte de 648 mulheres por feminicídio.
 
Em âmbito local, o Rio Grande do Norte registrou aumento de 13,6% no número de lesões corporais dolosas em mulheres, passando de 952 para 1.081 casos em relação ao primeiro semestre de 2019. Além disso, aumentou em 27,4% os registros de ameaça, passando de 1.265 para 1.612 em relação ao mesmo período do ano passado.
 
De acordo com a psicóloga Andreína Moura, membro do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Norte (CRP-RN), o isolamento social fez com que as mulheres ficassem mais suscetíveis a sofrerem violência com o convívio 24 horas com os agressores, que em sua maioria são companheiros das vítimas. 
 
“Um comportamento comum aos agressores é isolar e ter controle sobre a vítima, com isso, a convivência acentuada na pandemia potencializa ainda mais os conflitos e as situações de violência dentro do lar’’, afirma a conselheira.
 
Ciclos
 
De acordo com a psicóloga Andreína Moura, a violência ocorre em ciclos. O primeiro é através da tortura ou violência psicológica, pouco percebida dentro dos relacionamentos abusivos.
 
A violência psicológica consiste em humilhar, ofender e diminuir a vítima, podendo ser agravado pela dependência emocional ou financeira. Um segundo processo do ciclo é a violência física e por último, o risco do feminicídio, até as vias de fato, caso o ciclo não seja interrompido.
 
Não naturalizar o machismo é fundamental para o rompimento do ciclo. “Romper o silêncio é fundamental. Nomear o que a mulher sofre como violência e não como ‘uma coisa normal de casal’ é o primeiro passo para romper o ciclo de violência”, pontua a psicóloga.
 
É importante não responsabilizar a vítima pela não notificação. “O medo, a vergonha, a descrença nas leis e no Sistema de Justiça, a crença na mudança do parceiro, a dependência emocional e/ou financeira, podem fazer com que a mulher em situação de violência não procure ajuda”, explica Andreína.
 
Papel do Estado
 
Para o CRP-RN, é importante que o Estado ofereça plantão 24 horas na Rede de proteção como em instituições de abrigamento temporário, instituições de acolhimento, Centros de Referência, Casa Lar, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).  Além de promover a educação e conscientização das mulheres sobre temas como: direitos sexuais e reprodutivos, violação de direitos, empoderamento econômico, capacitação e oportunidade de trabalho, dentre outros.
 
O órgão destaca ainda o papel da sociedade. “A concretização do combate a violência não depende apenas de leis e decretos, mas de mudanças nos modos de pensar e agir da sociedade para compreensão sobre as violações dos direitos humanos da mulher”, enfatiza.
 
Apoio Psicológico
 
Ainda de acordo com a psicóloga, o atendimento psicológico às vítimas de violência estrutura-se em ações de escuta e de proteção que propiciem condições para a superação do sofrimento causado pela situação de violação de direitos.
 
“Profissionais que lidam com casos de violência contra mulher, devem avaliar as peculiaridades de cada caso para decidir se o encaminhamento é para um serviço de saúde mental, ou se propõe um conjunto de atendimentos psicossociais no seu plano terapêutico”, afirma.
 
CANAIS DE DENÚNCIA
 
DEAM Natal
 
Z. Norte: (84) 3232-5468/5469 (funciona 24 horas)
 
Z. Sul: (84) 3232-2526/2530
 
DEAM Parnamirim
 
(84) 3644-6407
 
DEAM Mossoró
 
(84) 3315-3536
 
DEAM Caicó
 
(84) 3421-6040/6029
 
LIGAÇÃO: Disque 100, 180 ou 190 (polícia)
 
SITE: https://ouvidoria.mdh.gov.br
 
APP: Direitos Humanos Brasil