Feminicídio: "Temos a 3° melhor lei mas a aplicação é deficiente" diz Dra. Sâmoa

05/02/2021

Por: Jessyanne Bezerra

 

 

Em entrevista concedida ao jornalista Pinto Jr. no programa Jornal Potiguar Notícias, a advogada e presidente da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ), Sâmoa Martins, esclareceu sobre violência contra a mulher e a importância de iniciativas para combater o patriarcalismo.

No Brasil, dados referentes ao ano de 2020 segundo levantamento feito pelo G1, a cada 7 horas um caso de feminicídio é registrado no país e a cada 9 horas uma mulher é morta durante a pandemia. “O Brasil é o 13° país da América Latina a ter aplicado a Lei Maria da Penha e somos a 3° melhor Lei de Proteção a Mulher. Mas por que somos a 3° melhor lei e ainda temos tantos casos de agressão, feminicídio, violência moral e financeira?” questionou a advogada Sâmoa e acrescentou “Tivemos percebido que mostrar a lei as mulheres é importante, mas não é o suficiente. Temos que mudar a estratégia, que é essa desconstrução nos homens, porque se o trabalho está sendo feito com as mulheres e não está tendo êxito, que é a diminuição dessa violência. Então precisamos ir a quem pratica o crime, o agressor, e conscientizar sobre o comportamento e desconstruir”.

Para ficar mais nítido: feminicídio trata dos assassinatos de mulheres em que o fato de serem mulheres foi fator essencial no crime, já o homicídio de mulheres indica mortes não ligadas a questões de gênero, como mortes em assaltos ou outras formas de violência. “Tivemos um workshop na ABMCJ para falar sobre a verdadeira face do feminicídio, o que é essa verdadeira face de fato que é o patriarcado, em que esses homens precisam sair dessa estrutura de preconceito e posse, para que isso venha a ser desmistificado e erradicado” afirmou Dra. Sâmoa Martins.

Sobre a inciativa de um projeto na escola sobre a violência doméstica, a presidente da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ) esclareceu “Levar o combate a violência doméstica para as escolas é algo urgente, porque na hora que uma mãe, irmã ou mulher sofre violência doméstica, a consequência dessa violência irradia e atinge as crianças que estão em casa” e acrescentou “sou presidente também da Comissão da Infância e Juventude da OAB e temos nos preocupado com isso, em parceria com a ABMCJ, para implementar esse ano a capacitação da violência doméstica nas escolas. Para que a gente leve essa conscientização de uma forma lúdica e que eles possam entender que na hora que isso acontecer, tenham a quem recorrer”.

Para saber mais assista a entrevista completa acessando o link: https://youtu.be/fTqwbmW9Hyc