Da França, reflexões sobre educação online em tempo de pandemia

07/10/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Tarcimaria Rocha Lula Gomes da Silva (IFRN)
Foto: Antoine PIERSON, Professor Associado de Matemática da Educação Nacional

Da França, reflexões sobre educação online em tempo de pandemia.

 

Nome: Antoine PIERSON, Professor Associado de Matemática da Educação Nacional

Nacionalidade: Français

Instituição: Éducation Nationale (France)

E-MAIL: aiolia22@gmail.com

 

1.Como você avalia a atividade dos docentes no contexto da Pandemia?

Sou professor do ensino médio. Pude ver como o ensino à distância foi introduzido em março passado e vejo o que tem sido feito desde setembro. Além da máscara e do fornecimento de gel hidroalcoólico, não se está fazendo muito. As pessoas que testam positivo para COVID são examinadas, mas a comunidade educativa nem sempre é informada dos resultados de seus testes. Os casos de contato não são levados a sério e alguns colegas que se consideram casos de contato são convidados a vir trabalhar.

 

2.Qual é a sua visão sobre a situação social, econômica e ambiental para o futuro em seu país?

As desigualdades estão apenas aumentando. A lógica do lucro do produtivismo e da concorrência é o que prevalece quando se tenta fazer uma avaliação geral. A riqueza está lá, mas raramente é reinjetada em medidas sociais ou ecológicas. A lógica é permanecer em uma reprodução cada vez maior da riqueza.

 

3.Quais transformações você vê no ensino presencial relacionado ao uso de novas tecnologias? Comente o aspecto social dos alunos em 2020?

O confinamento forçou estudantes e professores a usar ferramentas digitais. Muitos professores fizeram isso apesar dos recursos limitados fornecidos. Ainda somos penalizados pela falta de recursos digitais dentro e fora da escola (não existe um serviço de informática global no sistema nacional de educação, nenhum equipamento para professores e equipamentos de má qualidade para os alunos).

Ademais, a falta de investimento (estamos falando aqui de dinheiro) no setor digital reforça as desigualdades sociais. Durante o confinamento, um aluno sem computador ou um aluno sem Internet não poderia estudar de forma alguma. Fora do confinamento, sem internet ou computador, um aluno se encontra com uma enorme desvantagem... Sem acesso ao livro didático online, sem acesso a recursos no youtube...

 

4.Que orientação foram dadas às instituições de ensino para a implementação diante das contingências causadas pela pandemia?

Somente diretrizes gerais: "você tem que manter o trabalho à distância". No final, isto resultou em uma diretiva que garantiu que contactamos cada aluno pelo menos uma vez. Na minha escola, os professores de matemática e informática foram distribuir modems USB e computadores a alguns poucos alunos, mas esta foi uma iniciativa local.

Nenhum manual nem nenhuma instrução clara foi dada a não ser " não deem nenhuma nota à un aluno durante o confinamento". Exceto que algumas notas acabaram sendo contabilizadas a pedido do Ministro no final de junho (especialmente na 1a série do Ensino médio).

 

5.Gostaria de comentar um ponto específico sobre a atividade acadêmica, pandemia, política, economia e sociedade?

Há efeitos de anúncios regulares, mas internamente nunca temos nada, nem meios, nem diretrizes sanitárias ou pedagógicas. Por exemplo, aprendemos no final de agosto, nos principais meios de comunicação e através de nosso sistema de mensagens acadêmicas, que teriamos que usar o primeiro período deste novo ano [o ano letivo começa em setembro] para suprir a escassez devido ao confinamento. A preocupação é que no final de agosto, a maioria dos professores já havia preparado seus primeiros capítulos, por isso é um pouco tarde. Além disso, não foram feitas mudanças no já muito ambicioso novo programa de estudos que, para a escola, é algo muito diferente, uma vez que ele data do ano passado (e seria applicado este ano para o 3o ano do Ensino médio).

 

6.Você poderia nos contar sobre quaisquer experiências de educação bem sucedida no contexto atual do isolamento social?

As tarefas de casa e o monitoramento individual são muito eficazes quando as ferramentas corretas estão disponíveis, mas estas não são fornecidas pelo sistema nacional de educação. Eu pessoalmente tenho que passar pelas ferramentas da Google para garantir um bom serviço remoto.

O problema permanece de qualquer maneira porque, por mais eficaz que este acompanhamento individual seja, ele diz respeito apenas a uma minoria de estudantes, mais ou menos representativa: aqueles que têm acesso a material digital de qualidade e que podem obter ajuda em casa.

 

7.Que mensagem de entusiasmo você enviaria para a sociedade brasileira?

Todos estão ouvindo o que está acontecendo no Brasil no momento, não há falta de apoio em todo o mundo para as pessoas que estão atualmente em dificuldade. Sejam corajosos!!!

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

Name: Antoine PIERSON

Nationalité: Français

Institution: Éducation Nationale (France)

COURRIEL: aiolia22@gmail.com

 

1. Comment pouvez-vous évaluer l'activité de l'enseignements dans le contexte de la pandémie ?

Je suis professeur de lycée. J’ai pu voir comment l’enseignement à distance à été mis en place en mars dernier et je vois ce qui est fait depuis septembre. Mis à part le masque et la mise à disposition de gel hydroalcoolique, peu de choses sont faites. Les personnes testées positives au covid sont écartées mais la communauté éducative n’est pas toujours mise au courant des résultats de leurs tests. Les cas contacts ne sont pas pris au sérieux et on demande à certains collègues qui se considèrent cas contacts de venir travailler.

2. Quelle est votre opinion sur la situation sociale, économique et environnementale de l'avenir de votre pays ?

Les inégalités ne font qu’augmenter. La logique du profit du productivisme et de mise en concurrence est celle qui prime lorsqu’on s’efforce d’effectuer un bilan global. Les richesses sont là, mais elles ne sont que rarement ré-injecter dans des mesures sociales ou écologique. La logique est de rester dans une reproduction de la richesses toujours plus importante.

3. Quels changements voyez-vous dans l'enseignement en classe liés à l'utilisation des nouvelles technologies ? Commentez-vous l'aspect social des étudiants en 2020 ?

Le confinement a forcé les élèves et les professeurs à passer par des outils numériques. Beaucoup de profs s’y sont mis malgré le peu de moyen fourni. Nous sommes encore pénalisé par le manque de moyens numériques sur les établissement et en dehors (pas de service informatique à l’éducation nationale, pas de matériel pour les professeur et du matériel de piètre qualité pour les élèves).
Là encore, le manque d’investissement (on parle d’argent là) dans le secteur du numérique renforce les inégalités sociales. Pendant le confinement, un élève sans ordinateur ou un élève sans internet ne pouvait absolument pas travailler. En dehors du confinement, sans internet ou un ordinateur, un élève se retrouve avec un handicap énorme… Pas d’accès au cahier de texte en ligne, pas d’accès aux ressources sur youtube…

4. Quelles orientations ont été données aux établissements d'enseignement pour leur mise en œuvre face aux aléas de la pandémie ?

Seulement des directives générales : « il faut maintenir un travail à distance ». Finalement, cela s’est traduit par une direction qui s’est assuré qu’on a eu au moins une fois des nouvelles de chaque élèves. Chez nous, les profs de maths et d’informatiques se sont déplacés pour distribuer des clés 4G et des ordinateurs à quelques élèves mais c’était une initiative locale.
Aucun tutoriel, aucune directive claire n’a été donné si ce n’est « pas de note pendant le confinement ». Sauf que certaines notes ont fini par être comptées à la demande du ministre fin juin (notamment en seconde).

5 . Souhaitez-vous commenter un point spécifique sur l'activité académique, la pandémie, la politique, l'économie et la société ?

Il y a régulièrement des effets d’annonce mais en interne nous n’avons jamais rien, ni moyen, ni directives sanitaires ou pédagogiques. À titre d’exemple, nous apprenions fin août, sur les grands médias et via notre messagerie académique qu’il nous fallait utiliser le premier trimestre de cette nouvelle année pour palier aux manque dus au confinement. Le soucis c’est que, fin août, la plupart des profs ont déjà préparé leurs premiers chapitres, c’est donc un peu tard. De plus, aucune modification n’a été apportée aux programme déjà très ambitieux qui sont, pour le lycée, tout récent. Puisqu’ils datent de l’an dernier (et de cette année pour la terminale).

6. Pourriez-vous nous parler des expériences d'éducation réussies dans le contexte actuel d'isolement social ?

Le rendu des devoirs et le suivi individuel est très efficace lorsqu’on dispose des bons outils mais ceux là ne sont pas fournis par l’éducation nationale. Il me faut personnellement passer par la suite google pour assurer un bon service à distance.

Le problème reste de toute façon que, aussi efficace que soit ce suivi individuel, il ne concerne qu’une minorité plus ou moins grande d’élèves : ceux qui ont accès à du matériel numérique de qualité et qui peuvent se faire aider chez eux.

7. Quel message d'enthousiasme enverriez-vous à la société brésilienne ?

Tout le monde est à l’écoute de ce qu’il se passe au Brésil actuellement, les soutiens à travers le monde ne manque pas pour les personnes mise actuellement en difficultés. Courage !!!

 

Fonte: Antoine PIERSON, Professor Associado de Matemática da Educação Nacional