Artista potiguar em tempos de pandemia e isolamento: Deusa do Forró

28/08/2020

Por: CEFAS CARVALHO
Foto: Divulgação
 
 
Uma das artistas mais ativas da música potiguar, a Deusa do Forró, nascida em Acari e moradora em Parnamirim, manteve ritmo constante de lives e contato com seu público durante estes tempos. Para falar sobre isso e muito mais, ela conversou com o Portal PN. Confira:
 
 
Deusa, você é uma das artistas potiguares que mais fazem lives atualmente? Qual sua opinião sobre as lives e como é essa interação virtual com seu público?
 
Realizo minhas Lives de forma bem seletiva, apenas uma vez por mês. Até porque não é nada fácil realiza-las, pois os custos são altos para que possamos levar um show de qualidade, mesmo que seja virtual. Porém, recebi convites e também realizei Lives onde fui contratada.    
 
Por incrível que possa parecer, as Lives tem nos trazido uma grande interação com meu público, sinto-me mais próxima a cada Live que realizo, e com isto minhas redes sociais tem aumentado bastante, principalmente fora do nosso estado e até no exterior.    
 
 
Como acha que serão os shows e eventos musicais no cenário após pandemia?
 
Acredito que de um modo geral, a Pandemia vai nos trazer alguns cuidados, que deveriam existir, independentemente do surgimento desse vírus, pois existem muitas outras doenças que são transmissíveis com as aglomerações. Porém, o publico está carente de ver seus ídolos ao vivo, e deve ocorrer num primeiro momento uma corrida aos shows, e é aí que os artistas, autoridades e a população devem tomar todos os cuidados necessários. 
 
 
Como observa a situação dos músicos de forró, que dependem de shows, durante esse período?
 
Não somente os músicos do segmento do forró, mas todos os músicos estão numa terrível situação de vulnerabilidade econômica e social. Muitos têm passando por necessidades, pela fome, inclusive. 
 
Em particular para quem atua no segmento do Forró Pé de Serra, que é o meu caso, ainda tem sido muito mais difícil enfrentar essa Pandemia, pelo fato da grande mídia não dar o espaço que a verdadeira música nordestina merece. Acham que o Forró Pé de Serra toca somente no período Junino. E pra acabar de piorar, não tivemos São João neste ano.             
 
O poder público vem ajudando os artistas como deveria nesta fase?
 
Em minha opinião, Não ajudou. O poder público ficou ausente no que diz respeito a apoiar os artistas, principalmente os pequenos. Surgiram algumas iniciativas, aqui e ali, com uma burocracia gigante e complicada, de valores irrisórios, apenas para compor uma “participação” e “marcar presença”. Quando eu falo do poder público, falo do poder federal, estadual e municipal.    
 
No meu caso, para realizar minhas Lives, tive que recorrer a alguns parceiros micro empresários, e aos amigos, inclusive tive o apoio da própria PNTV, do contrário, não teria conseguido realizar nenhuma Live nesse período de pandemia.        
 
 
Quais são os seus próximos projetos?   
 
A vida continua, e como diz a canção Avoante , do Compositor Accioly Neto, “ ...Que nordestino é madeira de dar em doido, que a vida enverga e não consegue quebrar não ...” eu continuo na luta pra levar a minha cultura a todo lugar que eu puder. Enquanto tiver saúde eu não vou desistir.    
 
Bom, durante esse período de Pandemia tive a oportunidade de gravar dois clips, de músicas de minha autoria, “Apego ao Sertão” e “Triângulo, zabumba e sanfona”, que fiz em parceria com o amigo compositor potiguar, Amaury Queiroz e que devo lançar em breve. 
 
Pude também renovar meu repertório através de músicas que recebi de compositores de todo o país, e da releitura de alguns clássicos de Luiz Gonzaga, João Silva, Dominguinhos e etc. Muitas dessas músicas, além de compor o novo repertório, também estarão fazendo parte do meu próximo trabalho, que terá as participações já confirmadas, de Waldonys, Targino Gondim e Chambinho do Acordeon, e de provavelmente alguns outros, como Fábio Carneirinho e Adelmário Coelho . Todos conhecidos, que nos ajudarão a continuará levando a bandeira do nosso Forró Pé de Serra pra bem mais longe.