Da Itália, reflexões sobre educação online para a educação superior

14/08/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (UMinho)
Foto: Dra. Maria Candida Toaldo (Universidade Católica do Sagrado Coração de Brescia)

 

Da Itália, reflexões sobre educação online para a educação superior em tempos de pandemia

Entrevista concedida por Maria Candida Toaldo, diretamente da Província de Brescia-Itália sobre o quadro nacional da educação italiana no enfrentamento da pandemia do Covid-19. A entrevistada é docente de dicção e gestão de voz da Universidade Católica do Sagrado Coração de Brescia. Diretora Artística do Centro Teatral (CUT) “La Stanza”. Na entrevista ao jornal Potiguar Noticias fala sobre aspectos sociais e econômicos da Itália, do desenvolvimento das atividades dos docentes, da inclusão digital de estudantes no ensino superior, do panorama real sobre o gerenciamento da pandemia, do contexto do isolamento social e das experiências vividas pela comunidade escolar italiana que, na sua opinião, demonstrou ações positivas quanto a atividade acadêmica que continuou, de forma virtual, mas sem dificuldades particulares, dando como exemplo a sua experiência docente na Universidade Católica de Bréscia. A maior dificuldade nessa situação de aulas virtuais “foi conseguir manter contato constante com os estudantes”, sendo necessário, para o futuro, “equipar escolas, famílias com ferramentas que facilitem o uso de novas tecnologias”. A nível social e econômico, a pandemia deixou os italianos, sobretudo em Brescia, na Lombardia, epicentro da pandemia, sofridos, confusos e desorientados. Em seu entender, existe agora um bom dilema: o respeito rigoroso às indicações sanitárias permitiu e permite reduzir e conter o contágio, mas perante o bloqueio das atividades, nomeadamente, as econômicas, o que fazer? Considera que os italianos têm a esperança de que a doença não recomece impiedosamente e confiam que a ajuda econômica européia bem utilizada permita a recuperação. Lembra o que dizia um presidente italiano, “quando tudo parece perdido o italiano encontra o modo de sair das dificuldades... Confiamos que dessa vez aconteça o milagre”.

A entrevista realizada integralmente no idioma italiano (conforme segue ao final), foi traduzida para a língua portuguesa pela jornalista Sandra Bandeira Nolli.

 

1. Como você avalia a atividade dos docentes no contexto da pandemia?

Eu avalio, no todo, positivamente a atividade dos docentes durante a pandemia. Boa parte deles trabalhou para ajudar os estudantes a continuarem sua instrução com meios telemáticos apropriados. Certamente não foi fácil alcançar os objetivos e fora da emergência será necessário intervir com atividades potencialmente de recuperação e avaliação da aprendizagem.

2) Qual a sua visão sobre a situação social e econômica para o futuro na Itália?

Acho que este é um dos momentos mais críticos desde o pós guerra do ponto de vista social econômico e ambiental. É importante o incentivo da União Europeia, mas penso que a forma como está organizada agora não funciona adequadamente. Muita fragmentação, muitos interesses diferentes, desequilíbrio entre os vários estados. Na minha opinião devem retornar os princípios pilares fundadores pensando ao bem comum e não somente aos interesses próprios.

3) Quais transformações você observa no ensino relacionadas ao uso de novas tecnologias?

Eu acredito que as novas tecnologias podem ser um bom suporte didático. Uma ferramenta adicional para o professor que pode potencializar o próprio ensino. O estudante além do contato direto na sala de aula com professores e colegas por meio da educação telemática, pode retomar e aprofundar pessoalmente conteúdos, informações e conceitos. É claro que os professores terão que se atualizar sobre o uso didático de novas tecnologias.

4) Que orientações foram dadas às instituições educativas diante das contingências causadas pela pandemia?

As diretrizes das instituições educacionais estão evoluindo e as disposições para a retomada do novo ano escolar e acadêmico serão dadas em breve. Para o período de fevereiro a junho de 2020, com as indicações dadas procuramos de todos os modos favorecer a continuidade das aulas e a realização das provas, sobretudo virtualmente. A maior dificuldade nessa situação crítica acredito que foi conseguir manter contato constante com os estudantes através das aulas que, necessariamente, tiveram que ser configuradas de forma diferente da tradicional. Será necessário equipar escolas, famílias com ferramentas que facilitem o uso de novas tecnologias.

5) Gostaria de comentar algum ponto específico sobre a atividade acadêmica, pandemia, política, economia e sociedade?

Na Universidade Católica a atividade acadêmica felizmente continuou sem dificuldades particulares. Cada professor se organizou de maneira mais apropriada para facilitar a aprendizagem dos alunos. Eu, particularmente, terminei o laboratório plurisdisciplinar de teatro propondo uma série de vídeos com indicações teóricas e práticas. Os estudantes tinham tutores de referência para contatarem e esclarecerem as eventuais dúvidas.

A pandemia sobretudo em Brescia nos deixou sofridos, confusos e desorientados. Ao mesmo tempo vimos também ações de auxílio e solidariedade para com os mais carentes. Certo que não sabemos que coisa nos reserva o futuro tendo em vista que o contagio esta sempre à tona e não podemos baixar a guarda.

Essa pandemia evidenciou a criticidade no tocante a política e a gestão da saúde especialmente na Lombardia. Notável que os mais conscientes dos problemas são os prefeitos que muitas vezes encontraram dificuldades para interpretar as diretrizes dos entes encarrecagados que inicialmente estavam sempre em atraso com relação a gravidade da situação. Felizmente, em seguida veio uma melhora que permitiu de desembaraçar-se na miríade de decretos.

No ponto de vista econômico temos agora um bom dilema, o respeito rigoroso às indicações sanitárias dadas nos permitiu e nos permite de reduzir e conter o contágio. Mas, perante o bloqueio das atividades, nomeadamente, as econômicas... O que fazer?

Nesse momento temos a esperança de que a doença não recomece impiedosamente e confiamos que a ajuda econômica europeia bem utilizada permita a recuperação.

A sociedade italiana é muito diversificada assim como o seu ambiente. A coesão, entre tanta diversidade, parece quase um milagre. Mas, como dizia um nosso presidente, quando tudo parece perdido o italiano encontra o modo de sair das dificuldades... Confiamos que dessa vez aconteça o milagre.

6) Que mensagem de entusiasmo você enviaria para a sociedade brasileira?

A minha mensagem para a sociedade brasileira é que esse é certamente um momento muito crítico, mas recordamos que na história o homem sempre conseguiu superar graves momentos de crise. Algumas vezes se saiu melhor. Confiamos também na providência.

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

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Intervista originale com Maria Candida Toaldo-Prof.ssa dell'Università Cattolica del Sacro Cuore di Bresica.

Docente di lettere, dizione e gestione della voce.

Direttore artistico del CUT La Stanza(Centro Universitario Teatrale)

 

1) Come lei valuta l'attività degli insegnanti nel contesto della pandemia?

Valuto nel complesso positivamente l'attività degli insegnanti nel periodo della pande mia. Buonaparte dei docenti si è adoperata per aiutare gli studenti a continuare la loro istruzione con gli opportuni mezzi telematici. Certo non é stato facile raggiungere gli obbiettivi e,usciti dall'emergenza, sarà necessario intervenire con attività di recupero potenziamento e valutazione degli apprendimenti.

2) Qual'é la tua opinione sulla situazione economica, sociale e ambientale per il futuro nel tuo paese?

Ritengo che questo sia un periodo tra i più critici dal dopoguerra dal punto di vista sociale,economico e ambientale. E' importante favorire l'Unione Europea, ma penso che cosi come è organizzata ora non funzioni a dovere. Troppa frammentazione, troppi interessi diversi,squilibrio tra i vari stati. A mio avviso bisognerebbe tornare ai principi dei padri fondatori pensando al bene comune e non solo agli interessi del proprio “orticello.

3) Quali trasformazione vedi nell'insegnamento in classe in relazione all'uso delle nuove tecnologie?

Credo che le nuove tecnologie possano essere un buon supporto didattico. Un ulteriore strumento per il docente che può potenziare il proprio insegnamento. Lo studente, oltre al contatto diretto in classe con insegnanti e compagni, attraverso la didattica”telematica”, può riprendere e approfondire personalmente contenuti, informazioni e concetti. Certo gli insegnanti dovranno aggiornarsi sull'uso didattico delle nuove tecnologie.

4) Quali linee guida sono state date dalle istituzioni educative di fronte alle contigenze causate dalla pandemia?

Le linee guida delle istituzioni educative sono in “evoluzione”fra qualche tempo verranno fornite disposizioni per la ripresa del nuovo anno scolastico e accademico. Per il periodo daf ebbraio a giugno 2020, con le indicazioni date si è cercato in tutti i modi di favorire la prosecuzione delle lezioni e lo svolgimento degli esami soprattutto per via telematica. La maggiore difficoltà, in questa situazione critica, credo che sia stata riuscire a mantenere costante il contatto con gli studenti attraverso lezioni che necessariamente dovevano essere impostate in modo diverso da quello tradizionale. Si renderà necessaro dotare scuole e famiglie di strumenti che facilitino l'uso delle nuove tecnologie.

5) Sarebbe possibile commentare alcuni punto specifico sull'attività accademica, la pandemia, la politica, l'economia e la società?

In Università Cattolica l'attività accademica fortunatamente é proseguita senza particolari difficoltà. Ogni docente si è organizzato nel modo più opportuno per facilitare l'apprendimento degli studenti. Personalmente ho terminato il laboratorio pluridisciplinare di teatro fornendo una serie di video con indicazioni teoriche e pratiche.Gli studenti avevano poi dei tutor di riferimento da contattare per avere chiarimenti su eventuali dubbi.

La pandemia, soprattutto a Brescia, ci ha lasciati sofferenti,confusi e disorientati. Nello stesso tempo si sono viste anche azioni di solidarietà e di aiuto ai più bisognosi. Certo non sappiamo che cosa ci riserva il futuro anche perchè i contagi sono sempre in atto e non bisogna abbssare la guardia. Questa pandemia ha messo in risalto anche le criticità dal punto di vista politico e di gestione della sanità soprattutto in Lombardia.Si è notato come i più consapevoli dei problemi siano stati i sindaciche spesso hanno trovato difficoltà a interpretare le direttive degli enti preposti che inizialmente erano sempre in ritardo rispetto alla gravità della situazione. Fortunatamente in seguito vi è stato un miglioramento che ha permesso di districarsi meglio nella miriade di decreti.

Dal punto di vista economico abbiamo ora un bel dilemma.Il rispetto rigoroso delle indicazioni sanitarie date ci ha permesso e ci permette di ridurre e di contenere i contagi, ma il blocco delle attività danneggia notevolmente l'economia. Che fare? In questo momento abbiamo la speranza che il “morbo “non riprenda con accanimento e confidiamo che l'aiuto economico europeo, ben utilizzato, permetta la ripresa.

La società italiana é notevolmente variegata come il suo ambiente. La coesione tra tanta diveristà sembra quasi un miracolo ma, come diceva un nostro presidente, quando tutto sembra perduto l'italiano trova il modo di uscire dalle difficoltà... Confidiamo che anche questa volta succeda “il Miracolo”.

6) Quale messaggio di entusiasmo invieresti alla società brasiliana?

Messaggio per lasocietà brasiliana. Questo é certamente un momento molto critico, ma ricordiamoci che nella storia l'uomo è sempre riuscito a superare gravi momenti di crisi. Qualche volta ne è uscito migliore.confidiamo anche nella Provvidenza.

 

 

 

Fonte: Dra. Maria Candida Toaldo (Universidade Católica do Sagrado Coração de Brescia)