Maurício Requião fala sobre seu livro ´Coisas mínimas`, poesia e projetos

12/08/2020

Por: CEFAS CARVALHO
 
Maurício Requião nasceu em Salvador, e, além de escritor é professor universitário. Publicou em 2019 pela Editora Penalux o elogiado livro de poesias "Coisas mínimas". Em entrevista para o Portal Potiguar Notícias, Maurício fala sobre seu processo criativo, sobre o livro, tempos atuais, projetos e mercado editorial. Confira:
 
 
O livro é composto por poemas curtos, quase fragmentos. Fale sobre essa sua predileção e o processo desses poemas.
 
Esses poemas curtos me surgem de modo mais orgânico. É uma ideia que me surge, uma notícia que leio, algo que me incomoda, coisas assim, que acabam se transformando no poema. Muitas vezes já penso nele quase que automaticamente do primeiro ao último verso.
 
 
Os poemas foram escritos de maneira isolada e depois reunidos ou pensados conceitualmente como um livro?
 
Eles foram escritos de forma isolada. Na hora de ordenar para criar o livro é que pensei um pouco em onde colocar qual, mas não foram escritos previamente com essa intenção. Diria que são mais unidos pela forma do que pela temática.
 
 
O livro começa com uma poesia quase introdutória:
 
não se preocupe
agulhas nas unhas
farpas nos olhos
gotas no crânio
coisas mínimas.
 
Sua intenção é prevenir o leitor do conteúdo que encontrará? Conceituar o livro?
 
É uma poesia que meio que explica o título, né. Nem lembro se escrevi ela primeiro e depois usei o último verso como título para o livro, ou se a escrevi para servir meio que como uma prévia do que estaria por vir. Eu não diria que tive a intenção de “prevenir” o leitor, embora sua leitura assim seja realmente uma boa interpretação. De repente preveni sem nem querer.
 
 
Em texto sobre seu livro, Marcelo Frota escreveu que "o livro de poemas de Mauricio Requião, que a meu ver, compõem, sem usar de formas geométricas, mas lapidando palavras em versos, assim como se faz com os diamantes, algo que podemos chamar de poesia minimalista". Considera sua poesia minimalista?
 
Se essa é uma pergunta do ponto de vista de teoria literária, não faço a menor ideia! Mas numa interpretação geral do termo, diria que sim. Só conheci esse texto do Marcelo Frota através da sua entrevista, inclusive! Obrigado aí, Marcelo, muito bondosa sua comparação!
 
 
Ao longo dos poemas percebe-se sempre termos como mortos, pesadelo, escuridão, sempre ideias soturnas. Foi proposital passar esse conceito melancólico para o livro como um todo?
 
Como comentei antes, é muito mais coisas que me incomodam e se refletem na poesia, do que uma ideia proposital. “Ah, vou deprimir as pessoas com esse aqui”, não é algo intencional. É mais botar para fora. E acho que tem um efeito de catarse, não só para mim, mas para quem me lê também. Pelo menos espero, né...
 
 
Quais os seus próximos projetos literários?
 
Estou participando de uma coletânea de contos, só com autores baianos, que deve sair em breve. Tenho um romance (também curto, sei nem se dá pra chamar de romance!) na gaveta. É sobre um homem que quer fez um transplante de cabeça, mas prometo que não é soturno! E estou sempre postando coisas que escrevo no insta @qualquerbicmebasta.
 
 
7 - Como percebe a produção literária durante estes tempos de pandemia e isolamento?
 
Tenho uma impressão de que talvez tenha aumentado. As pessoas ficam mais reflexivas e também acabam tomando coragem de publicar o que escrevem. Tenho mais de um amigo que nesse tempo de pandemia passou a publicar suas poesias na internet, por exemplo. 
Por outro lado, pra projetos mais longos, acho que fica mais difícil. Ter estímulo e paz durante a quarentena pode ser uma coisa bem difícil...
 
 
 8 - Como observa atualmente o mercado editorial para poesia e qual a importância das editoras independentes/de pequeno porte?
 
E tem mercado de poesia? No sentido mais capitalista da coisa, acho que não. Por conta disso, acho que o trabalho das editoras que você citou é essencial. Acho que, sem elas, a maioria dos projetos ficaria na gaveta pra sempre, escondidos do mundo. E nem seria uma coisa intencional, que nem o pai do sujeito em “Vicky Cristina Barcelona”, só pura impossibilidade mesmo! Então, ótimo que as editoras independentes/de pequeno porte estão aí.