O artista potiguar durante a pandemia e o isolamento: Adriano Azambuja

06/08/2020

Por: CEFAS CARVALHO
 
Mineiro que vive no Rio Grande do Norte desde 1979 Adriano Azambuja é músico, guitarrista e bastante conhecido no cenário potiguar. Aprendeu a tocar ainda adolescente e desenvolveu seu estilo influenciado inicialmente por Hendrix, Page e Clapton e mais tarde, por Santana, Frusciante e Zappa. Participou de diversas bandas autorais como A Bandeira do Urso, Cabeças Errantes, A Máquina e Síntese Modular além de ter tocado no circuito de bares e festivais com a banda de interpretações Sangueblues e fez participação em shows com a lendária banda potiguar The Automatics em grandes festivais como Dosol e MADA. Em 2005 se apresentou no Festival Mada e lançou “Vagalume e o som das coisas que estão sem nome” o primeiro de 7 discos independentes onde mostra seu lado compositor, arranjador, cantor e multi-instrumentista. Tem discos lançados e compôs a trilha sonora para os curta metragens “Incontinências” e “Athayde” e para o documentário “Passo da Pátria - Porto de Destinos”, dirigidos por Paulo Jorge Dumaresq e Alex Régis. No audiovisual estreou como protagonista do curta-metragem “Em torno do Sol” dirigido por Vlamir Cruz e Júlio Castro, além de ter composto e executado a trilha sonora juntamente com Paolo Araújo (Moloko Drive). Participou como ator no curta “Respeitável Público” (Sinergia Coletivo) e “Insustentável” (Vlamir Cruz e Júlio Castro). Confira entrevista que concedeu ao Portal PN:
 
 
Como está sendo sua produção musical  durante  este período de isolamento?
 
Na primeira fase do isolamento me dediquei ao ócio criativo e tarefas caseiras, saindo apenas, com muita apreensão, para ir ao supermercado. Na segunda fase recebi o convite para participar das gravações do novo disco de Márcio Ramalho, produzido pelo lendário Zé Marcos, onde a faixa The Outbreak, que fala da pandemia, é destaque. Márcio é um excelente compositor que veio do rock natalenese da década de 80 e que continua na ativa compondo e gravando. Vale à pena conferir o trabalho dele. No decorrer do isolamento, as inquietações logo começaram: Peguei o violão e compus uma música e enviei a melodia para o amigo de longa data Marcelus “Bruce” (ex-Fluidos), que rapidamente mandou uma letra de volta. Gostamos da experiência e nesse ritmo fizemos 10 músicas trocando áudios e letras pelo Whatsapp. 
 
 
Acredita que de maneira geral as pessoas estão consumindo mais música durante o confonamento?
 
Sobre o consumo de música ter aumentado, eu acredito que sim, juntamente com outros tipos de arte como cinema (via streaming), por exemplo.
 
 
Quais seus projetos musicais durante este período ou para o pós-pandemia?
 
Para o pós-pandemia tem o lançamento de mais um episódio da websérie Território Criativo onde participo com a música Florânia. Pretendo voltar a trabalhar no meu disco instrumental que vai sair pela Mudernage Combo e terminar de gravar as canções que compus a partir dos poemas do livro “Letra de Som” de Marcelus “Bruce” Brito Coelho. Essas músicas devem estar num CD que virá com o livro, o trabalho está muito interessante e merece atenção quando for lançado. Quanto a agenda de apresentações da banda Sangueblues e do trio Blues & Outras Intenções, onde toco no circuito de bares e restaurantes, acredito deva demorar um pouco mais a retornar, até mesmo como medida preventiva, já que esses locais naturalmente já são aglomerados.
 
 
Qual a sua opinião sobre as lives musicais?
 
Eu achei massa esse lance das lives.  Foi uma ótima maneira que a galera encontrou, com a ajuda da tecnologia, para poder se aproximar do público e trazer um pouco de diversão e conteúdo para todos. Particularmente não fiz live, mas participei de alguns vídeos onde fizemos uma conexão musical entre Parnamirim/RN e Visconde de Mauá/RJ, tocando com os músicos Luciano Jardim (meu cunhado) e Marcelo Hilgenberg. Gravamos aqui em casa, eu e meu filho Danilo, e eles gravaram em suas respectivas casas e meu cunhado editou os vídeos, deixando “todos tocando juntos” na mesma tela, ficou bem legal. 
 
 
Como acha que serão os shows e eventos musicais no chamado "novo normal"?
 
Está aí uma boa pergunta! Quem já tiver a resposta tem um bilhete premiado. (Risos).  Brincadeiras à parte, pelo que observo, acho que as pessoas querem apenas voltar ao ‘antigo’ normal e sua pressa, mas não sei até que ponto isso vai ser possível. Espero que fique algum aprendizado sobre a beleza e fragilidade da vida e que possamos repensar a maneira como nos relacionamos uns com os outros e com tudo que nos rodeia.