Minha memória afetiva do TAM

24/07/2020

Por: ELIADE PIMENTEL
Foto: Assecom-RN/Governo Cidadão
 
 
Com 50% da reforma concluída, o Governo do RN reacende a esperança de termos de volta o Teatro Alberto Maranhão, nossa melhor casa de espetáculos. E com direito ao retorno do jardim, outrora concretado!
 
Quando eu era menina, vi pela primeira vez uma apresentação de pastoril no Teatro Alberto Maranhão. Eu era aluna da Escola de Música da UFRN e me apresentei naquele palco para o espetáculo de fim de ano, que fora dirigido por ninguém menos do que o célebre teatrólogo potiguar Jesiel Figueiredo. Acredito que outras escolas também dividiram a pauta, de modo que eu guardo essas lembranças de ter sido “artista” e espectadora ao mesmo tempo. 
 
Anos depois, já adolescente, fiz um curso de teatro no Sesc, com o cenógrafo Costa Filho, que me prometeu “colocar de graça” no TAM para eu assistir a uma peça protagonizada pela atriz Lília Cabral. Mas, para isso, eu e a amiga a qual eu convidara para me acompanhar teríamos de chegar cedo. E o que fizemos? Levamos nosso livro do curso de inglês e ficamos horas no jardim do teatro, repassando nossas lições. Tivemos a sorte de ver a atriz circulando por ali. 
 
Aos 18, recém-ingressa no curso de Comunicação Social, na UFRN, onde me formei jornalista, fui conferir a comemorações do aniversário do TAM, no dia 27 de março, e jamais esqueci como foi lindo assistir àquelas encenações de grupos potiguares, de música, dança, folclore e teatro. Foi uma tarde/noite eternizada em minha memória. Eu era tão nova, porém já me indignava e me ressentia com a falta de espaços que nossos artistas amarg(av)am. 
 
Antes e depois dessas lembranças citadas, eu ri e chorei assistindo a inúmeros espetáculos adultos e infantis – “eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro, da cara de mau...” -, além de concertos da Orquestra Sinfônica do RN. E também curti shows de artistas locais como Isaque Galvão, Glorinha Oliveira, Rodolfo Amaral, e outros, no extinto projeto Seis & Meia, sem falar nas atrações nacionais como  Chico César, Zeca Baleiro, Rita Ribeiro, Daúde, Zélia Duncan, Leila Pinheiro, Geraldo Azevedo e muitos outros -, e ainda shows internacionais em projetos de jazz. 
 
Sem falar nos lançamentos de livros e de CDs, como o de Elino Julião, que teve direito a um espetáculo memorável do grande compositor de forró, das apresentações folclóricas com danças tão lindas de todo o nosso Rio Grande do Norte, e até mesmo das palestras e seminários. Foi lá que tive a oportunidade de assistir ao escritor Mário Prata, um dos melhores cronistas desse Brasil. 
 
Ao longo dos anos, minha relação com o TAM se tornou cada vez mais íntima. O crème de la crème dessa minha história com o teatro foi como aluna/bailarina da Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão (EDTAM). Sim, eu dancei naquele maravilhoso palco com toda a minha simplicidade e até mesmo a ingenuidade de quem nunca na vida havia usado sapatilhas, mas ousou se matricular na primeira turma de ballet adulto da escola.   
 
Agora, o que mais desejo é estar na reinauguração do Teatro Alberto Maranhão, pela Assessoria de Comunicação do RN (a qual integro como repórter), e ter o prazer de assistir à governadora Fátima Bezerra cortar a fita inaugural dessa obra que com certeza se tornará um marco da sua gestão.  
 
Após anos fechado, ela o recebeu com 5% da obra executada. Em um ano e meio, a reforma avançou para 50% após a equipe de governo ter conseguido destravar diversos trâmites burocráticos que estavam impedindo o andamento do projeto. E agora vai. Artistas e espectadores, seremos todos gratos. Queremos o TAM de volta!