Um futuro incerto

20/05/2020

Por: EMANUELA SOUSA
 
 
É quase impossível falar em quarentena e não ficar ansioso. A lista de prioridades é infinita. Fazem planos à todo momento para que, quando acabar voltem a se reunir com amigos nos happy hours às sextas, prometem visitar a familia mais vezes e dizem retormar, com foco, os projetos que adiaram no passado.
 
Ao longo desses dias, vejo um cenário divididos entre duas expectativas: Um pessimista e outro otimista. De um lado ouço por ai que o fim da pandemia trará consigo um futuro promissor! Harmônico em que poderemos nos conscientizar da importância do toque, superestimar os encontros e fortalecer valores como a empatia e solidariedade. Por outro há um quadro pessimista: Em que muitos não enxergam um futuro promissor, e sim como o mesmo. A vida pós a pandemia será como sempre foi. Ainda haverá um certo distanciamento, continuaremos focados em conversar pelas redes sociais, a desigualdade social continuará a exisitir. E depois de um certo tempo, repleto de abraços, voltaremos a ser como sempre, reclusos e egoístas.
 
É sempre muito bom permanecer no otimismo e ter ânimo para acreditar que tempos melhores venham, mas cada dia fica mais difícil ter ânimo quando ligo a tv e assisto o jornal.
 
Dificíl ver o final disso tudo quando leio as manchetes e já não quero ler o texto. Decidi de última hora não fazer mais planos. Escolhi viver somente o hoje, pois não enxergo como será o futuro daqui há um mês ou um ano, não sei como estaremos daqui a três semanas... É tudo incerto. E causa um certo desconforto. Me amparo nos meus sonhos, nos livros e nas ligações com meus amigos.
 
"Em breve, talvez, estaremos juntos." Eles dizem.
 
 Suspiro.