Os jovens e o isolamento

09/05/2020

Por: EMANUELA SOUSA
 
Não é de hoje que sabemos que a quarentena vem potencializando muita coisa ao nosso redor. Solidão, ócio e incertezas para o futuro, tem sido o pesadelo constante de muitos.
 
Reconhece-se que o isolamento, por trás de uma janela de proteção contra o vírus, trás uma camada intensa de angústias e ansiedades especialmente entre os jovens.
 
A tecnologia se tornou nossa única aliada. Se antes já éramos dependentes dela, agora se tornou nossa única ferramenta para saciar a saudade de quem está perto e longe. Logo cai a ficha que estamos temporariamente orfãos do toque, do abraço e das demonstrações físicas de afeto. Que ironia dizer isso quando até um tempo atras achávamos que ela nos bastava.
 
Do alto do sexto andar de um prédio da grande São Paulo, tenho visto diariamente cenas que a solidão  passeia nos apartamentos vizinhos. Vejo-o alguns que vão até a sacada, fumam um cigarro e voltam. Televisões ligadas, muito silêncio e barulho ao mesmo tempo.
 
Testemunho também o quadro da ansiedade entre uma janela e outra. As noticias que correm até nós - muitas vezes desanimadoras, nos causando mais vontade de consumir demasiadamente. O tédio persegue e voltamos à vasculhar nossas redes sociais. Vamos andando em círculos, e lá se foi mais um dia. E nos perdemos entre os dias da semana no calendário.
 
Descobrimos algo inédito nessa quarentena: Que não temos para onde correr, se não for para dentro de nós mesmos. O que quero dizer com isso?
 
Que a contemplação pode se tornar interessante e o ócio pode ser menos penoso se desligarmos de tudo, por alguns instantes, aparelhos celulares, televisões e etc. e correr para dentro de nós.
 
Tudo que nos resta é esperar.