Litoral sul potiguar é berçário natural de tartarugas ameaçadas de extinção

31/01/2020


O litoral sul potiguar é berçário natural de tartarugas ameaçadas de extinção
 
Há três anos uma equipe de pesquisadoras da Oceânica realiza o monitoramento da temporada reprodutiva de tartarugas marinhas nas praias de Búzios e Tabatinga. 
 
A tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) é uma espécie criticamente em perigo de extinção, que faz das areias de Búzios e Tabatinga, no litoral Sul potiguar, um berçário para centenas de tartaruguinhas no verão. Desde 2017 a Oceânica realiza o monitoramento sistemático dos ninhos como uma linha de ação do Projeto Ponta de Pirangi - patrocinado pela Petrobras, através do programa Petrobras Socioambiental, e Governo Federal.  A primeira temporada monitorada pelo Ponta de Pirangi aconteceu de fevereiro à julho de 2018. Nesse período a equipe monitorou 54 ninhos e 5.111 filhotes de tartarugas. A segunda, de dezembro/18 a julho/19, mostrou o potencial de Búzios: 114 ninhos e 10.700 filhotes acompanhados em segurança até o mar.
 
O monitoramento da temporada reprodutiva (2019/2020) começou em dezembro de 2019 e até então foram registrados 49 ninhos. Porém a partir de setembro, presenciamos um grande crime ambiental que atingiu a nossa costa, o derramamento de petróleo. “A toxicidade do petróleo, pode impactar as tartarugas marinhas em todos os seus estágios de vida, por este motivo, o monitoramento após o derramamento é ainda mais necessário, principalmente nestas praias, que foram as mais atingidas do Litoral do RN” afirma Jéssica Paiva, Coordenadora de Monitoramento de tartarugas marinhas de Búzios.
 
Todos por um ninho 
 
A cada ninho encontrado pela equipe de pesquisadoras, é feita uma marcação com estacas numeradas que servem tanto para identificação e acompanhamento, como para sinalizar aos visitantes da praia a presença de um ninho. As atividades de campo acontecem a partir das 5:30 da manhã e, com sorte é possível acompanhar tartarugas fêmeas em momento de desova. “Encontramos os ninhos através dos rastros das fêmeas, fazemos medições relacionadas às nossas pesquisas, demarcarmos a localização e monitoramos os ninhos até a eclosão dos ovos. Garantir que as tartarugas enfrentem somente os obstáculos naturais tem sido nosso maior desafio”, conta Jéssica Paiva.  Para que a praia ofereça segurança aos ninhos, os moradores, frequentadores e turistas que visitam Búzios e Tabatinga podem colaborar tomando cuidados simples, entre eles: evitar passar próximo ao ninho, não mexer na estaca de marcação e na cerca que fica ao redor, não permitir que animais domésticos entrem no cercado e que veículos transitem na praia, diminuir a iluminação de refletores das casas e estabelecimentos de praia e cuidar do seu lixo, seja ele orgânico ou não.
 
Educação ambiental 
 
Através de um diálogo constante a Oceânica trabalha na sensibilização da comunidade para importância de conservar o ambiente marinho. “Essa espécie fez de Búzios seu berçário e por isso devemos nos orgulhar e proteger ao máximo para que volte a povoar os mares e equilibrar nosso ecossistema”, aconselha  Lígia Rocha, Coordenadora do Projeto Ponta de Pirangi. 
 
Além disso estas informações se tornaram base para atividades de educação que a Oceânica realiza com moradores, estudantes, turistas e demais interessados. Com elas foram produzidos materiais educativos como o cartaz, “A riqueza da Praia de Búzios”, que foi distribuído em todos os pontos comerciais, escolas e associações da área; e a exposição fotográfica “Um berçário na Praia de Búzios”, criada pela Oceânica para divulgar os resultados do monitoramento e chamar a atenção aos impactos ambientais locais e de escala global que interferem no ciclo de vida das tartarugas marinhas. Mais de 600 pessoas já puderam conhecer e se encantar. “São realizadas também solturas públicas de filhotes de tartarugas marinhas. Esta atividade tem um fim educativo e de sensibilização para que a comunidade e os visitantes possam presenciar uma cena que evidencia a riqueza da praia de Búzios, a fragilidade da espécie e a necessidade de sua conservação”,  revela Jéssica. 
 
Sobre a Oceânica - Pesquisa, Educação e Conservação
 
A Oceânica foi fundada em 2002 com o objetivo de fomentar o uso sustentável dos recursos marinhos, integrando pesquisa científica, educação e práticas de conservação. Nossa missão é “buscar a conservação dos ecossistemas costeiro-marinhos, por meio da pesquisa, educação e governança, respeitando a cultura e promovendo o bem-estar humano atual e das gerações futuras, de forma integrada e participativa com a sociedade”. Nossa principal área de atuação é o litoral potiguar. Realizamos pesquisas sobre a biodiversidade marinha e o processo de ocupação da costa, campanhas de mobilização da sociedade, fóruns de discussão para ordenamento do uso, ocupação e conservação do litoral, além de participação direta em redes, fóruns, conselhos e comitês no RN que envolvam a zona costeira, unidades de conservação, pesca artesanal, educação ambiental, urbanismo e meio ambiente.