Canalhas não suportam poesia

20/07/2019

Por: Michelle Paulista
O presidente hoje reproduziu o discurso reducionista e preconceituoso, ao referir-se aos governadores do nordeste como "paraíbas". A Paraíba é um dos estados mais bonitos do nordeste, berço de grandes poetas, como Augusto dos Anjos, por exemplo. Eu tenho certeza que esse senhor jamais leu Augusto dos Anjos; seja por ignorância ou profunda inabilidade de apreciar algo tão subjetivo como a poesia. Canalhas não suportam poesia. Imagino que ele também deve achar que poesia é " coisa de viado".
 
E, não satisfeito com a diarreia verbal, ameaçou os governadores que não o apoiaram com retaliações. Seria surpreendente ouvir isso em pleno século XXI, num mundo pós-moderno, globalizado e cada vez mais conectado, entretanto, em se tratando de um parlamentar inútil, cuja trajetória política ao longo de inúmeros mandatos,  ratifica- se o niilismo que suas falas (de péssima dicção e de constrangedores equívocos fonéticos) vomitam.
 
Com um discurso travestido de homem de "família" e "cidadão de bem", comete uma babaquice após outra, o que sequer podemos chamar de "cagada", esse regionalismo tão nordestino. Fezes servem de adubo; o que esse cidadão deixa escapar da sua boca troncha e maldosa é qualquer coisa de tão repugnante, que chamar de cocô é um ultraje - com o cocô.
 
Com uma agenda entreguista, ultrapassada, hipócrita, corrupta e sem noção, conseguiu fazer com que milhares de brasileiros criassem asco da camisa verde e amarela, asco esse catapultado pela corrupção que afoga a CBF.
 
Seria muito bom que todas as frases de ódio e intolerância, juntamente com a insipiência que denuncia em suas falas sobre os movimentos populares e as minorias, fossem apenas marketing. Mas não o são. 
 
Montado em clichês e frases prontas, o presidente faz uso, propositalmente, de um discurso simplório, embora sarcástico e ardiloso, para cooptar pessoas de pouco esclarecimento político e crítico, ao mesmo tempo em que se locupleta a partir da atividade política juntamente com seus três filhos, que jamais prestaram qualquer serviço à sociedade. Antes, pelo contrário, são a exata metonímia do coronelismo e da herança política.
 
Escrevi muito. Mas tudo poderia se resumir em: eu tenho vergonha de ser representada por um cidadão que flerta com o nazismo, que é ultra-liberal e traz na cara a expressão horrenda do fascismo.