Sobre o livro ´Os monólogos da vagina`

01/07/2019

Por: Ana Paula Campos
 
Se vocês estivessem lendo esse livro, teriam coragem de lê-lo em público já que tem esse título?
 
E se não, já imaginou quanta repressão precisamos suportar ao longo dos anos simplesmente por termos vagina?
 
Frequentemente eu vejo postagens de mulheres recriminando mulheres mais “audaciosas” dizendo que isso não vai de acordo com sua religião ou com o que aprendeu com sua mãe.
 
Aprendenmos a ter vergonha do nosso corpo, dos nossos pelos, da nossa menstruação...
 
Mas quando eu peguei esse livro na livraria eu não fazia ideia do que ele trataria. Lembrei que anos atrás havia uma peça mas não me lembrava o conteúdo. Imaginei que seria algo cômico, quem sabe...
 
Nesse livro encontrei relatos de mulheres do mundo todo. 
 
A cada relato lido, eu parava por alguns minutos e chorava copiosamente. A ponto da minha filha dizer: lê mais não, mamãe. Aí só tem coisa ruim.
Eu acho que prestava uma homenagem de silêncio pelo sofrimento de cada uma daquelas mulheres. Eu sofria com elas...
 
Eu sofri...
 
Já fui espancada, humilhada, perseguida e posso garantir: não é fácil simplesmente sair dessa situação como muitos imaginam!
 
Semana passada eu dei carona pra uma moça que ia caminhando na rua sozinha. Não gosto de ver mulheres em situação de exposição e risco e não fazer nada.
 
No caminho fomos conversando sobre a sua separação recente. Ela chorava muito porque ele nunca deixou que ela trabalhasse e batia nela. Hoje ela está com medo porque nao tem experiência. Ele reforça dizendo: vc não vai conseguir se virar sem mim!
 
Até quando homem será um prêmio? Um objetivo de vida? Uma realização na nossa vida?
 
Eu contei pra ela tudo que passei, como foi difícil me virar sozinha (ainda é) e como estou mais forte hoje. 
 
Ela disse: tão bom ouvir isso. Vou acreditar que posso também!
 
Eu pediria desculpa pelo textão mas porque devo me desculpar por estar desabafando? Devo me desculpar ou sentir vergonha por tudo de ruim que me fizeram passar?
 
Precisamos alertar outras mulheres sobre a nossa força!
 
Sejamos mulheres que levantam outras mulheres!
 
Incentive! Elogie!
 
O parâmetro para saber se aquilo é “normal” é: se um homem fizesse seria tão duramente criticado? 
 
Se sua resposta for não, então fique do lado da mulher!