Crime ambiental de Brumadinho: Falta Responsabilidade socioambiental

31/01/2019

Por: Jerônimo Freire
Foto: R7
 
NÃO FOI ACIDENTE. Acidentes são provocados por tsunamis, erupções vulcânicas, terremotos, vendavais, tufões etc. Rompimento de barragem (s) é crime ambiental, é ganância, é negligência, é certeza de impunidade, essa foi a nota da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB), reunida na 136ª Reunião de Gestão Coletiva (RGC), e a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Geografia (ANPEGE). É chocante as imagens do “tsunami de lama” ocorrido no município de Brumadinho (MG), no dia 25 de janeiro de 2019, uma onda de energia equivalente a um bombardeio com armas nucleares. Essa associação é muito fácil de explicar, o cenário (matas, rios, animais e seres humanos) que existia antes do rompimento criminoso da barragem não vai existir nos próximos séculos, não há tecnologia no mundo que possa devolver o verde lindo com seus pássaros, animais e homens que perderam suas terras produtivas. E o mais chocante é saber, que em novembro de 2015, o estado de Minas sofreu a maior catástrofe ambiental da história do País, quando se rompeu uma barragem em Mariana (MG). A Vale também é parte desse crime ambiental de Mariana, os interesses mesquinhos dos acionistas, executivos e políticos, nada fizeram para evitar a tragédia de Brumadinho (curva do conhecimento ZERO).  
 
O que podemos fazer? Como professor de ciências e autor de um projeto de responsabilidade social e ambiental, venho tratando de temas ambientais nas questões da Água, Energia e Poluição. Desde os anos 80 desenvolvo nas instituições de ensino atividades de campo (visitas técnicas), com estudantes do ensino médio e das engenharias para visitar hidrelétricas (Paulo Afonso, com estudantes do Colégio Marista), minas (Mina Brejuí em Currais Novos com escolas públicas do RN), açudes (estudantes do Colégio Seridoense, açude Itans, em Caicó), visitas técnicas as barragens do RN, Parques Eólicos e sistemas fotovoltaicos. É um ensino contextualizado de ciências (Física) e engenharias, que possibilita conhecer esses grandes empreendimentos, com seus problemas que possas ser discutido e debatido em sala de aula e nos eventos científicos. Uma prática pedagógica rica e de baixo custo, com o propósito de motivar as futuras gerações a conhecer os seus problemas e ser crítica.
 
A Vale anunciou na madrugada do dia 29/01 que suspendeu o pagamento de dividendos a acionistas e também de bônus a título de remuneração variável a todos os seus executivos em decorrência da tragédia de Brumadinho. Estas foram as decisões tomadas em reunião extraordinária do Conselho de Administração da VALE, segunda palavras do presidente, após os acontecimentos do crime ambiental.  O que esperar do futuro na forma de resolver o problema no presente? 
 
É triste perceber que o texto referente a missão da Vale se proponha a  ”Transformar recursos naturais em prosperidade e desenvolvimento sustentável”, que na sua visão de futuro, promete ” ser a empresa de recursos naturais global número um em criação de valor de longo prazo, com excelência, paixão pelas pessoas e pelo planeta” e que os seus valores são ”Trabalhamos para gerar prosperidade, com responsabilidade social e respeito ao meio ambiente​​”, tudo isso apagado pelas imagens de Brumadinho.