Pentágono contraria Trump e permite alistamento de transgêneros

11/12/2017


Foto: Donald Trump - KEVIN LAMARQUE / REUTERS
O Pentágono afirmou que irá permitir o alistamento de transgêneros nas Forças Armadas americanas a partir de 1º de janeiro de 2018. A decisão é contrária ao posicionamento do presidente do país, Donald Trump. Dois tribunais federais já decidiram contra a proibição. Os recrutas transgêneros terão de superar um longo e rigoroso teste de condições físicas, médicas e mentais que tornam possível que eles se juntem aos serviços armados.
 
Em julho deste ano, Trump anunciou no Twitter que transgêneros não poderiam mais servir em nenhuma Força. O plano tinha sido aprovado por seu antecessor, Barack Obama.
 
O major David Eastburn, porta-voz do Pentágono, diz que o recrutamento de transgêneros começará no dia 1º de janeiro e acontecerá em meio às batalhas legais. O Departamento de Defesa também está estudando o problema.
 
Eastburn disse à "Associated Press" nesta segunda-feira que as novas diretrizes significam que o Pentágono pode desqualificar potenciais recrutas com história de tratamentos médicos associados à transição de gênero e aqueles que foram reconstruídos. Mas tais recrutas são permitidos se um médico certificar que eles estão clinicamente estáveis no sexo preferido por 18 meses e estão livres de sofrimento ou comprometimento significativo em áreas sociais, ocupacionais ou outras áreas importantes. Os indivíduos transgêneros que recebem terapia hormonal também devem ser estáveis em seus medicamentos por 18 meses. O Pentágono tem restrições semelhantes para recrutas com uma variedade de condições médicas ou mentais, como o transtorno bipolar.
 
"Devido à complexidade deste novo padrão, profissionais treinados realizarão uma pré-seleção médica de candidatos transgêneros para o serviço militar que de outra forma atenda a todos os padrões aplicáveis do candidato", disse Eastburn.
 
Em julho deste ano, o presidente americano Donald Trump afirmou que não vai permitir a presença de transgêneros no exército americano. Trump usou seu perfil no Twitter para divulgar a decisão, tomada após consulta a generais e especialistas militares, segundo ele. O presidente afirmou que a presença de transgêneros seria um fardo devido aos "enormes gastos médicos e a distração que implicariam".
 
"Depois de consultar meus generais e especialistas militares, informo que o governo dos Estados Unidos não vai aceitar nem permitir que transgêneros sirvam em qualquer cargo do exército americano. Nosso exército deve ser focado na vitória decisiva e esmagadora e não pode ser sobrecarregado com os enormes gastos médicos e distrações que transgêneros no exército implicariam. Obrigado", disse Trump em vários tweets.

Fonte: O Globo/Reuters