Ex-presidente cubano Fidel Castro morre aos 90 anos em Havana

26/11/2016


Foto: Divulgação
Morreu aos 90 anos, nas primeiras horas deste sábado (26), em Havana, o ex-presidente cubano Fidel Castro. O falecimento do líder da ilha caribenha foi informada pelo seu irmão, presidente Raúl Castro, em pronunciamento na televisão estatal.
 
"Em cumprimento da vontade expressa do companheiro Fidel, seus restos serão cremados nas primeiras horas" de sábado, disse ainda Raúl.
 
Símbolo da Revolução Cubana em 1959, Fidel permaneceu 49 anos no poder, antes de renunciar em nome do irmão, em 19 de fevereiro de 2008.
 
Embora não estivesse mais na Presidência do Estado de Cuba, Fidel permaneceu como o grande líder da ilha. Sua morte marca o fim de uma era de discursos longos, frases emblemáticas e confrontos com os Estados Unidos que levaram a um embargo –indicado por Fidel como o principal determinante para o empobrecimento da população cubana.
 
No longo período em que esteve à frente do país, Fidel sobreviveu a nove diferentes governos americanos e a várias tentativas de assassinato. Para os EUA, ele representava uma lembrança constante e incômoda dos ideais comunistas que, apesar de praticamente abandonados no resto do mundo, permaneceram vivas a apenas 144 Km de distância de sua costa.
 
Com uma interpretação própria sobre como encerrar as desigualdades sociais na ilha, Fidel liderou um golpe ao regime do ditador Fulgência Batista (1933-1959). Sua resistência o transformou em herói nacional e seu carisma o transformou em um líder popular. Assim, ele assumiu após a queda de Batista com promessas de restauração da Constituição de 1940, e de promover uma administração honesta, restabelecer as liberdades civis e políticas e instaurar reformas moderadas.
 
DOENÇA E SAÍDA DO PODER
Na noite de 31 de julho de 2006, Fidel Castro surpreendeu Cuba e o mundo com o anúncio de que cedia o poder ao irmão Raúl, em caráter provisório, depois de sofrer hemorragias. Foi a primeira vez que saiu do poder.
 
Sem revelar qual doença o afetava, Fidel admitiu que esteve à beira da morte. Perdeu quase 20 quilos nos primeiros 34 dias de crise, passou por várias cirurgias e dependeu por muitos meses de cateteres.
 
Em dezembro de 2007, o comandante cubano já havia expressado em uma mensagem escrita que não estava aferrado ao poder, nem obstruiria a passagem das novas gerações, mas em janeiro foi eleito deputado e ficou tecnicamente habilitado para uma reeleição – o que não ocorreu.
 
Desde março de 2007, já afastado do cenário público, sendo visto apenas em vídeos e fotos, Fidel Castro se dedicava a escrever artigos para a imprensa sob o título de "Reflexões do Comandante-em-Chefe".
 
Fidel deixou o poder definitivamente em fevereiro de 2008. Em um texto publicado no jornal estatal “Granma”, ele anunciou sua renúncia.
 
REVOLUÇÃO E LIDERANÇA
Um dos motivos pelos quais Fidel se manteve durante tanto tempo no poder é a sua figura profundamente carismática. Desde o início da revolução, ele frequentou atividades populares, desde seus longos discursos em tribunas abertas até a participação em debates sobre temas variados na televisão. Fidel costumava frequentar ainda eventos esportivos e culturais, sempre protegido por um forte esquema de segurança.
 
Membro do Partido Ortodoxo (social-democrata) nos anos 1940 e no começo dos anos 1950, Fidel tinha ideias políticas nacionalistas, anti-imperialistas e reformistas.
 
Em dezembro de 1956, Fidel e outros 81 rebeldes, incluindo Ernesto Che Guevara, entraram em Cuba e se estabeleceram na Sierra Maestra, de onde lançaram uma guerrilha que derrubou Batista. Fidel assumiu como primeiro-ministro de 1959 a 1976 e presidente do governo e primeiro secretário do Partido Comunista desde 1976.
 
No poder, nacionalizou os setores do comércio e da indústria, realizou uma extensiva reforma agrária e expropriou negócios norte-americanos e grandes propriedades rurais. Seu governo logo foi tachado de autoritário e radical e Fidel passou a acumular críticas de grupos de defesa dos direitos humanos –principalmente quanto ao tratamento dado a presos políticos e dissidentes do regime.
 
COMUNISMO E O EMBARGO
Desde o triunfo da revolução, Cuba manteve relações estreitas com o bloco socialista, principalmente com a ex-URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), o que o afastou dos EUA. Em 1961, Fidel declara Cuba Estado socialista. No mesmo ano, Washington corta relações diplomáticas com Cuba e inicia um embargo econômico ao país, que dura até hoje.
 
Fidel assumiu para si a causa socialista e a luta contra o capitalismo na Guerra Fria. Já afetado pelo embargo americano, sofreu duro golpe quando Mikhail Gorbatchov (1985-91) assumiu o poder na URSS e instaurou abertura política e econômica e suspendeu o crucial apoio à ilha.
 
REPERCUSSÃO NO BRASIL
Em nota à imprensa, a Presidência da República se manifestou neste sábado (26) sobre a morte do líder cubano Fidel Castro.
 
"Fidel Castro foi um líder de convicções. Marcou a segunda metade do século XX com a defesa firme das ideias em que acreditava", diz a nota enviada pela assessoria do presidente Michel Temer à imprensa.
 
Fidel morreu ontem em Cuba. Tinha 90 anos. O corpo deverá ser cremado no próximo sábado (3).