"O Rio Grande do Norte cresceu, aumentou a população e a PM não avançou"

28/09/2016

Por: José Pinto Junior
Foto: Tiago Rebolo
No Rio Grande do Norte hoje vivemos um quadro de insegurança pública...
 
O Estado vive uma situação extremamente delicada, e especificamente no quesito segurança pública. A população do Estado aumentou, fomos de 3 milhões para 3 milhões e 400 mil, se não me engano, só Natal tem um milhão de habitantes. E o Estado aumentou a população, cresceu e a Policia Militar - e eu posso falar, convivi 35 anos na instituição, me considero um policial militar e vou morrer policial militar-  não avançou. O RN cresceu e a PM decaiu, essa é a verdade.
 
Os números mostram isso, não?
 
Para ter uma ideia, quando eu tive o privilégio se sentar na cadeira de comandante da PM, o efetivo era de 10 mil homens, hoje temos 8 mil. Como justificar seis anos sem a entrada de sequer um policial militar?
 
Não só sem entrar como saindo tantos outros.
 
Sim, saindo por aposentadoria, invalidez, indisciplina, razões diversas. Essa é a razão da diminuição do efetivo, todo dia perdemos policiais. Isso sem falar da estrutura, falando apenas do efetivo. Mais homens resolve o problema? Não, mas minimiza. A constituição nos coloca como policia ostensiva, nosso papel é fazer policiamento, evitar o crime com nossa presença;. Se a nossa presença não for ostensiva o crime vai acontecer, nesse caso, claro, a culpa é da polícia, que não estava presente.
 
E como está a parceria entre a Policia Militar e a Policia Civil?
 
As polícias Militar e Civil são duas instituições autônomas que trabalham de forma integrada. Mas, a população tem que entender que a PM é ostensiva, de patrulhamento e a Civil é judiciária, de investigação. O trabalho é integrado, há uma boa parceria. Mesmo com as dificuldades, os heróis das duas polícias estão dando respostas á população, tanto que não se passa um dia sem que algum criminoso não seja preso.
 
E tanto que as delegacias e presídios estão lotados, havendo inclusive as fugas de detentos.
 
Exatamente. O sistema penitenciário no estado está em decadência, em falência, não sou eu quem estou dizendo, os números comprovam isso. Quando registramos fuga de duzentos detentos, é para se repensar o sistema. Nossa capacidade de absorver detentos é de 3 mil, mas nossa população carcerária é de 8 mil. Isso explica o caos da situação carcaerária.