Luiz Gomes: "O PEN é o único partido que não tem dono"

05/06/2015

Por: Cesar Brasil
Foto: Tiago Rebolo
Em entrevista ao programa de rádio Na Redação do PN, sob a apresentação dos jornalistas Cefas Carvalho e Tiago Rebolo, o advogado, suplente de deputado estadual e presidente estadual do Partido Ecológico Nacional (PEN), Luiz Gomes, falou sobre as estratégias do partido que comanda, lançou comentários sobre o desempenho do partido na última eleição e analisou também a tão falada reforma política.
 
Recente, o Partido Ecológico Nacional foi criado no final de 2011 e obteve seu registro definitivo junto ao TSE no ano de 2012. Mas já em 2014, ano em que foram às urnas para disputar sua primeira eleição, demonstraram ótima ‘performance’ eleitoral e amealharam quase 1 milhão de votos em todo o país. Só no Rio Grande do Norte, a legenda conseguiu 30.000 votos.
 
Naturalmente, tem-se cogitado nomes para os mais variados cargos públicos, para a eleição municipal de 2016 e torna-se impossível que questionamentos relativos ao assunto não venham à luz para o esclarecimento do eleitor.
 
Gomes falou que estratégias de abrangência estadual estão sendo criadas e existe a possibilidade de candidatura própria do partido, inclusive com o apoio do PSD, partido do governador do estado. “O PEN está tentando construir candidatura em muitos municípios, e óbvio que não poderíamos deixar de pensar na cidade de Natal”, disse.
 
 Prosseguindo sobre o assunto, ele acrescentou: “Toda a base que disputou a eleição de 2014 continua dialogando e estamos conversando ainda sobre isso com o PSD, PP, PTB além do PT, PC do B e o PT do B, que são os partidos que compõem a base aliada do governador”, falou.
 
O advogado dedicou parte da entrevista para falar sobre a ideologia do partido ao qual pertence e que defende, entre outros pontos, a questão do meio ambiente, o desenvolvimento sustentável e a social democracia. Luiz Gomes assegura que o partido trabalha lançando candidaturas de lideranças locais, que conhecem bem as demandas específicas de tais localidades e que em hipótese alguma admite o jogo de cartas marcadas que tradicionalmente é praticado nas eleições municipais e estaduais. “A construção de um partido deve nascer das bases, por isso mesmo, dialogamos com nossos militantes”.
 
“Não adianta um cacique de partido sair de Natal e apontar quem deve ser o candidato em Parnamirim, Mossoró, São Gonçalo. Não existe isso em nosso partido”, exclamou. 
 
REFORMA POLÍTICA
Atualmente, o sistema político brasileiro conta com 35 partidos distribuídos por todo o território nacional. O que é um absurdo se comparado a outros países que funcionam sob o regime de Estado Democrático de Representatividade. À título de comparação, por exemplo, os Estados Unidos têm apenas cerca de meia dúzia de partidos políticos, sendo apenas o Republicano e o Democratas os mais influentes.
 
E em votação está, no Congresso Nacional, o projeto de Reforma Política, que aborda vários aspectos do sistema político brasileiro. Um dos temas que está em pauta é a proibição ou não do financiamento privado de campanhas, que é visto por alguns como moeda de barganha entre partidos e as grandes corporações. O esquema é o seguinte: o empresário empresta ao político um valor durante a campanha e recebe depois em forma de contratos, que quase sempre serão superfaturados para incluir a “doação” ou financiamento de campanha eleitoral. O que evidentemente destoa do ideal de Estado Democrático de Direto.
 
O presidente do PEN ressaltou que defende o financiamento público de campanha.
 
Ademais, o projeto de reforma política visa também ao estabelecimento de algumas restrições aos partidos novos, por assim dizer, os partidos menores.
 
Apesar disso, Luiz Gomes destacou a importância e fez elogios a um dos aspectos do projeto que foi aprovado: o fim da reeleição, o que implica e obriga o gestor a trabalhar única e exclusivamente focado no que interessa.
 
“Hoje, o candidato assume o primeiro mandato e já fica pensando no segundo”.