Palhaço Leiturino: levando alegria e leitura às crianças

14/05/2015

Por: Cefas Carvalho
Foto: Arquivo PN
Hoje tem palhaçada? Tem, sim senhor! E hoje tem leitura? Tem, sim senhor! Este bem poderia ser o bordão de um palhaço criado e especializado em estimular a leitura entre crianças. Trata-se do palhaço Leiturino, vivido pelo professor e cordelista Francisco Martins Alves Neto, 49 anos. Francisco, que atende pelo nome artístico de "Mané Baradeiro",conta que Leiturino nasceu no dia 12 de outubro de 2009,  na Escola Municipal Manoel Machado, em Parnamirim. O personagem foi criado quando o cordelista, que fazia e faz palestras e apresentações em escolas públicas e particulares, percebeu a necessidade de se incentivar as crianças a lerem de forma lúdica e divertida.
 
Segundo Francisco, o trabalho acontece mais nas escolas, principalmente com as crianças até 12 anos. Há também apresentações em Escolas Bíblicas  de Igrejas. "As crianças se encantam porque Leiturino tem uma singularidade como palhaço, fala de valores humanos, relacionamentos, livros, histórias, tudo isso regado com humor e alguns números de mágicas e malabares, além da presença dos bonecos: jumento Ananias, macaco Sarauê e Roque, que prendem a atenção também dos adultos".
 
Francisco, que é cearense da pequena cidade de Iracema e veio aos dois anos de idade para Ceará-Mirim, relata o fascinio que o universo circense lhe exerce e confessa que já teve vontade de seguir carreira circense. "Quando eu era pequeno, tinha uns oito anos de idade, vivia sonhando em sair pelo mundo num circo. Meu pai sempre alertava minha mãe Raimunda, olho em Neto. Tem circo na cidade", diverte-se. Não muitos, mas sempre que podia eu ia. Tinha constante curiosidades para ficar perto dos palhaços.
 
Apesar disso, "por incrível que pareça", confessa, não tem nenhuma experiência circense. "Nunca trabalhei em circo, nem tampouco tive qualquer formação na área".
 
Sobre a opinião do papel do palhaço hoje em dia, em um mundo cada vez mais tecnológico, afirma que é um desafio. "Hoje é muito difícil fazer humor. Principalmente quando se opta a ser um texto sem pornografias. O que aliás, aqui no nordeste é marca da maioria das pessoas que trabalham no ramo como palhaço. Mas, criatividade sempre supera a tecnologia neste sentido e até mesmo ajuda a enriquecer as atividades. É tudo só uma questão de olhar".
 
Sobre quem admira no campo da arte do palhaço (ou do "clown", termo em inglês que define o palhaço em muitos países do mundo), o criador do Leiturino registra que "gosto do Palhaço Paulinho (que trabalha no sul e sudeste do país ) e fora do Brasil sou fã de Mr Bean, personagem criado pelo ator britânico Rowan Atkinson.  E é claro, o maior de todos: Carlitos (Charles Chaplin), porque palhaço não é aquele que tem a cara pintada", opina.
 
QUEM É FRANCISCO MARTINS
Casado com a pedagoga Sandra Pimentel, Francisco Martins é pai de cinco filhos. Nascido em Iracema (CE), filho de Francisco Fernandes da Silva e Raimunda Martins Fernandes, aos dois anos de idade, veio com seus pais para o Rio Grande do Norte, onde viveram na Fazenda Santa Maria, interior de Ceará Mirim. Aos 9 anos foi morar na cidade de Ceará Mirim, para dar continuidade aos estudos, onde viveu até os 15 anos. Desde os 9 anos que aprendeu a ter gosto pela leitura.
 
Em 1981, morar em Natal. Aos 17 anos  teve seu primeiro emprego, na função de Assessor de Imprensa da Arquidiocese de Natal. Ao longo de sua vida profissional também foi corretor de imóveis, analista de materiais, analista de produção,  livreiro e professor.
 
Atualmente é guardião da Biblioteca Padre Luiz Monte, da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras e trabalha na Biblioteca Rômulo Wanderley, em Parnamirim. 
 
Assume também a função de secretário de atas do Conselho Estadual de Cultural do Rio Grande do Norte. Cursa Letras  - Licenciatura em Língua Portuguesa – na  Universidade Federal da Paraíba, a distância. É membro da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte- SPVA e da União Brasileira de Escritores – UBE/RN.
 
(Matéria publicada originalmente no livro "Anotações sobre o circo potiguar",  organizado por José Correia Torres Neto, editado pela Fundação José Augusto)