José Vieira: "Os produtores rurais estão vivendo um dos seus piores momentos"

19/01/2015


O presidente do sistema FAERN/SENAR Jose Vieira, que assumiu a presidência do Conselho Deliberativo do SEBRAE esteve no programa Conexão Potiguar onde conversou com o jornalista José Pinto Júnior sobre os novos desafios e responsabilidades no novo cargo.
 
Qual o significado dessa nova responsabilidade que o senhor assume, que é  ser presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE?
É um orgulho e uma responsabilidade muito grande poder fazer parte deste seleto grupo que são os presidentes do SEBRAE. Para nós é uma felicidade muita grande, acho que para a classe produtora rural ter um presidente de federação da agricultura também presidindo o conselho do SEBRAE é muito importante para o setor agropecuário, principalmente em um momento de dificuldade que nos estamos vivendo. Os desafios são muito grandes, mas estamos muito determinados e empenhados em poder fazer o melhor.
 
Outras vezes que conversamos aqui no Conexão Potiguar o senhor mencionou que tem uma preocupação em relação a qualificação das pessoas que trabalham no campo no sentido de ganharem capacidade para aprenderem a conviver bem com a seca. Então, em que medida o SEBRAE pode, em parceria com a FAERN, aumentar esse trabalho de qualificação?
O SEBRAE já vem fazendo um trabalho de qualificação não só na área rural, mas também na indústria e no comércio. Está havendo uma interiorização das ações de formalização, de qualificar, de treinar todos os segmentos de micro e pequenos empreendedores e nós junto com a Federação e o SEBRAE já temos um programa chamado “Sertão Empreendedor”, onde nos próximos quatro anos vamos dar assistência técnica a 570 propriedades rurais. Mas, também, ao mesmo tempo, o programa “Pró-Sertão” que é uma parceria do SEBRAE, Governo e a Federação da Indústria que teve êxito, onde já foram criados mais 50 mini fábricas de facções e esse ano queremos criar mais 50, gerando oportunidade no interior do nosso Estado.
 
Esse programa citado, o governador Robinson Faria (PSD) está comprometido com ele? 
É um programa do governo anterior, mas como é um programa exitoso o governador Robinson não vai pensar duas vezes e vai entrar de cabeça nesses programas porque ele vem para ajudar inclusive na arrecadação de impostos. Precisamos criar um ambiente para que os empresários possam investirem no Estado. Eu acho que esse é o grande desafio do governador Robinson, em poder propiciar esse ambiente, esse ambiente favorável. Nós precisamos atrair novas indústrias que sejam na área de alimentos, na área da indústria, do comércio atacadista para que o Estado volte a retomar o seu desenvolvimento econômico.
 
E a seca? É um problema grave que continua e o senhor havia reclamado da demora com os empréstimos, demora em relação a questão do milho. Então, qual é sua perspectiva atualmente com relação a isso ? 
 Os produtos rurais estão vivendo uma dos piores momentos da sua história. Os produtores têm passado com essa seca atual sem ter nenhuma renda e isso tem nos preocupado. Estamos intensificando as qualificações rurais através do Senar, mas nós precisamos que o Governo entenda que é necessário um olhar diferenciado para o setor rural do semiárido. Não podemos ter o mesmo tratamento que um produtor que tem no Centro-Oeste e no Sul aqui na nossa região. Precisamos de políticas, programas e projetos estruturantes.
 
Há o desafo de recuperar a bacia leiteira que foi atingida frontalmente, o está sendo feito?
 A bacia leiteira vem caindo, nós temos uma preocupação muito grande que os produtores hoje estão com dificuldade em poder comercializar sua produção. Temos batido na tecla de precisamos ter uma média indústria de laticínios no estado para poder absorver a produção de leite. O Programa do Leite é muito importante, até determinado momento, mas os produtores não podem ficar vulneráveis a ele. Então, precisamos buscar alternativas em parceria com a iniciativa privada.
 
E qual seria a forma de agregar valor ao leite? Transformando ele em queijo ou o que mais?
Leite longa vida, é a grande saída para o Estado, para que possamos absorver o excesso de produção. As indústrias locais não estão tendo capacidade para absorver essa produção, então é preciso atrair um ambiente favorável para que novos investidores venham para o estado e possam investir, instalar suas indústrias para que nós possamos ser competitivos e comercializar com os outros estados.
 
O senhor é otimista em relação à nomeação da ministra Kátia Abreu?
Sou suspeito em falar porque sou fã da senadora, minha presidente da Confederação Nacional de Agricultura, faço parte dessa mesma chapa encabeçado por ela e fiquei muito feliz da indicação dela para ministra da Agricultura, de modo que o RN tem muito a ganhar em função do acesso que temos a ministra para que possamos trazer o máximo de recursos, investimentos para o Estado, mas para isso precisamos ter bons projetos.
 
Nesse ano de 2015 qual será o foco do sistema FAERN/SENAR nesse primeiro trimestre? Quais  serão as primeiras iniciativas?
Intensificar as qualificações, continuar defendendo os direitos e os interesses dos produtores rurais (a questão do endividamento não foi resolvida). Precisamos concluir o projeto de recuperação da bacia leiteira através das emendas parlamentares, conseguimos R$ 900 mil   para iniciar  a recuperação da bacia leiteira do Estado, de modo que temos muito trabalho, tanto pela Federação, quanto pelo SENAR, também agora pelo SEBRAE e a última notícias que eu tenho é que fui convidado para presidir a comissão do Nordeste dentro da Confederação Nacional da Agricultura, que trata todas as ações inerentes ao nordeste brasileiro.  
 
Nos outros estados como Paraíba, Pernambuco e Ceará, essa questão do dever de casa do Estado no que diz respeito as ligações das bacias relativo a transposição do rio São Francisco estão resolvidas, mas quem esta mais atrasado é o RN?
Nós nem se quer temos projeto. O Ceará tem o Caque que é o cinturão das águas do Ceará que veio através de recursos federais e não do Estado. Então o que nós precisamos é vontade política de querer resolver os problemas.

Fonte: Potiguar Notícias (Ed. 564)