Jacó Jácome: "O Executivo não dialoga com os vereadores e quer impor projetos"

08/01/2015

Por: Pinto Júnior

Vereador mais jovem de Natal, Jacó Jácome (PMN) foi eleito para o cargo com mais de 6 mil votos. Em pesquisa recente realizada pelo Instituto Tiradentes, ele foi eleito o vereador mais atuante da Câmara Municipal. Aos 22 anos, Jacó se prepara, no entanto, para outro desafio em sua carreira política. A partir de fevereiro de 2015, será deputado estadual, após ter obtido mais de 28 mil votos nas últimas eleições. Em entrevista a José Pinto Júnior no programa Conexão Potiguar, o vereador fez um balanço de seu mandato no Legislativo Municipal e comentou a relação entre o prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) e os vereadores. Confira:

De que forma o senhor se despede da Câmara Municipal de Natal?
Meu mandato na Câmara foi muito independente, tranquilo e produtivo. Meu trabalho como vereador era de mudar alguns desafios, pois entendo que o mandato parlamentar é do povo e, por isso, deve ser sempre em favor da coletividade.
 
Em que projetos o senhor se envolveu com maior afinco?
Com orgulho, eu fui, por exemplo, o relator da Lei do Passe Livre, que o prefeito infelizmente vetou depois. Lamentamos a postura do Executivo, mas cumprimos o nosso papel enquanto legislador. Outro momento importante foi quando conseguimos aprovar a Lei dos Postos, em que quebramos o monopólio da gasolina.
 
O Legislativo e o Executivo têm entrado em conflito nos últimos tempos, como se faltasse sintonia. Falta mais diálogo?
O governo não dialoga com os vereadores e quer impor seus projetos. Neste sentido, a bancada aliada ao prefeito aprova tudo o que vier do Executivo e vota indiscriminadamente contra o que vier da oposição. Eu não sou a favor ou contra o governo. Sou a favor de Natal. O meu histórico é de coerência nas minhas votações. Eu não tenho cara, por exemplo, de votar a favor de um projeto, o prefeito vetar e eu votar contra a derrubada do veto. Não é possível mudar ideia num mesmo projeto só porque o prefeito pensa de uma forma ou de outra. Busco ter uma postura independente, que é o que me dá liberdade nas minhas ações.
 
O senhor poderia exemplificar um tipo de imposição feita pelo Executivo?
Recentemente, nós tivemos uma sessão, polêmica inclusive, na qual o prefeito enviou ao Legislativo um novo Código Tributário que taxava instituições que hoje são isentas de impostos, como as instituições religiosas. Além disso, profissionais liberais e autônomos, que são imunes também de impostos atualmente, seriam taxados neste novo código. E, veja só, o prefeito encaminhou este projeto logo no período natalino. O governo recuou da ideia logo depois, mas caso a matéria entrasse em plenário, eu votaria contra.

Fonte: Potiguar Notícias