George Câmara: "Os partidos de Esquerda vem ganhando mais espaço em Natal"

25/11/2014


Vereador em Natal pelo PC do B, e um dos maiores especialistas em questões metropolitanas do Estado, George Câmara esteve no Alpendre do PN onde conversou com os jornalistas Cefas Carvalho e Tiago Rebolo sobre eleições, política, Natal e 2016. Confira:
 
Qual a avaliação que o senhor faz do seu mandato na Câmara?
Nós temos uma forma de trabalhar, por orientação do PCdoB, que é sustentada por um tripé: a produção legislativa voltada para o interesse da maioria do povo; fiscalização do Poder Executivo, os atos do prefeito e os problemas da sociedade e, por fim, temos um viés que estimula a participação dos eleitores durante o mandato, com o contato direto com o povo. Então, posso afirmar que o meu mandato, modestamente, está sendo cumprido honesta e dignamente.
 
Qual a avaliação que o senhor faz do papel da Esquerda na Câmara Municipal de Natal?
Eu considero que os partidos de Esquerda, em Natal, vêm ganhando cada vez espaço na política municipal. A CMN saiu das urnas, em 2012, com vários parlamentares oriundos dos movimentos sociais. Isso é positivo porque há uma maior sensibilidade com as questões sociais, das lutas do trabalhador. Então, a produção legislativa da Casa vem sendo profícua, atuante, de alcance social.
 
Na sua visão, as eleições de 2014 vão influir no pleito de 2016?
Sem dúvida alguma. Na minha concepção, mesmo sendo muito cedo, é possível observar que a sociedade potiguar e natalense sinaliza uma vontade de mudança, creio que está se fechando um cerco na política local. As últimas eleições mostraram isso. Então, de fato, o último pleito terá influência direta no próximo, não sabemos até que ponto. Muita gente observa que a estagnação econômica do nosso município tem muito a ver com a estagnação política que vem sendo exibida nos últimos anos. Com o surgimento de escolas técnicas, de universidades, os jovens estão evoluindo e participando, cada vez mais, das decisões políticas.
 
Em entrevista ao Conexão Potiguar, com o jornalista José Pinto Júnior, o vice-governador eleito, Fábio Dantas, disse jamais ter duvidado da capacidade de Robinson para se tornar Governador. Ao que o senhor atribui a vitória de Robinson Faria, visto que ele não era o favorito?
Veja só, a política não é uma Ciência Exata, mas sim Social. Então, ela não tem aqueles axiomas; é tendencial, mas não exata. Pesquisas são recortes da vontade da sociedade, mas não podem ser levadas ao pé da letra. O palanque de Henrique não tinha a participação do povo, isso influiu bastante para o resultado das eleições. As pessoas não se contentam, como antes, com os acordões.
 
Há quem diga que um dos maiores perdedores dessa eleição foi o prefeito Carlos Eduardo Alves. O senhor também avalia dessa forma?
O Rio Grande do Norte passa por um momento de mudança, que está sendo visto em todas as esferas. Tanto Wilma quanto Carlos Eduardo são bem conhecidos pelos potiguares e pelos natalenses. A leitura do atual prefeito de Natal foi, na minha concepção, mais conservadora, devido ao fato de ter se aliado aos representantes dos partidos mais conservadores do Brasil. Logo, por não ter considerado esse fator, Carlos Eduardo sai enfraquecido para o próximo pleito.
 
Como o senhor vislumbra a participação do PCdoB em 2016?
Eu acho que ainda está muito cedo. Nossa aliança com o PT tem natureza muito estratégica, há muita coisa a ser feita ainda. São muitas tarefas que exigem um tempo maior para se raciocinar. Embora tenha um grande respeito pelo deputado Fernando Mineiro, o PCdoB não faz pré-lançamento de candidatos anos antes da eleição. É necessário analisar a conjuntura nacional e local de 2016.

Fonte: Potiguar Notícias