José Rodrigues Sobrinho: "Estamos unidos à sociedade e movimentos organizados"

04/09/2014


O presidente da Central Única dos Trabalhadores no RN, José Rodrigues Sobrinho, participou do programa Conexão Potiguar. Em entrevista  falou sobre as ações da organização e as principais lutas da classe trabalhadora no estado e em todo o Brasil.

 

Qual é o grande desafio da CUT hoje?
A Central enfrenta todos os desafios políticos e sociais deste país. Mas priorizamos no momento alguns problemas que tem que ser tratados de imediato, porque precisamos de respostas. No campo político, nós estamos dando hoje prioridade ao plebiscito popular, porque acreditamos que o financiamento privado é uma “prostituição” do sistema eleitoral. O grande problema é que grandes grupos empresariais financiam políticos.

Então trata-se de uma emenda popular?
Isso, que vai regulamentar o processo de financiamento, onde qualquer cidadão poderá ser candidato. Hoje não, quem não tiver uma grande empresa que financie milhões ele não consegue ser candidato. Hoje no RN, se você quer ser candidato alguém não lhe pergunta quantos votos você vai precisar, mas sim quanto você vai gastar. Então nós estamos com o plebiscito popular em marcha, queremos levar para cada sindicato um comitê para pegar assinaturas, pois precisamos de 1 milhão de assinaturas para que possamos ter uma constituição específica que regulamente  o processo eleitoral deste país.

Como se dará essa aquisição do número de assinaturas?
Primeiramente, não é uma ação só da CUT, é da sociedade organizada, com os grupos estudantis, e vários sindicatos, e toda uma classe social organizada e politicamente consciente dessa mudança. É a sociedade inteira, e qualquer cidadão poderá assinar a lista pedindo essa grande mudança que acreditamos que é a grande transformação política que este país precisa.

Além da reforma política se fala em reforma tributária, e tantas outras.  O Sr. acha que a política é a principal?
É uma das principais. A discussão da reforma tributária começou a andar, e quando nós começamos a dizer que queriamos participar das discussões, que diziam que era cosia da elite e que trabalhador não precisava disso, houve um recuou e desapareceu o assunto. A reforma tributária está engavetada pela exigência da CUT de querer participar. A reforma política é o carro-chefe, pois vai discutir o processo eleitoral, vamos construir o que nós desejamos uma sociedade solidária, justa, onde todos possam participar de sua riqueza, de seu desenvolvimento, e que mude a cara deste pais. Durante  502 anos só existia São Paulo, os melhores médicos, engenheiros, hospitais, universidades, e a riqueza esta em São Paulo, e o que sobrou foi para o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, e o resto veio para o nordeste. De 2002 pra cá, começou a aparecer o nordeste, e as coisas começaram a acontecer, e não podemos deixar isso morrer, precisamos de muito mais. Ainda somos uma região muito pobre, nós participamos de apenas 13% do PIB nacional.

Fonte: Revista Conexão Potiguar