Antônio Nahud: “Não acredito em inspiração; e sim em técnica e pesquisa”

02/09/2014

Por: Pinto Jr.

Baiano, radicado em Natal há anos, onde vem publicando livros, escritor e jornalista fala sobre produção cultural, cinema, internet e projetos.

Conte como você recebeu a notícia de que foi premiado com o Troféu Cultura?
Eu nunca me preocupei com prêmios, mas não há como negar que um prêmio, um Troféu Cultural, valoriza o seu trabalho. É uma prova de que seu trabalho está sendo reconhecido, de que todo o seu esforço está sendo valorizado. Eu fiquei muito feliz e contente com o prêmio.

Nos conte sobre suas preferências literárias.
 Eu procuro enveredar por todos os gêneros literários. Gosto muito de prosa, mas escrevo poesias; na minha área mais jornalística, gosto de escrever biografias. Também escrevo crônicas, contos e todos esses gêneros mais conhecidos. Escrever, para mim, é uma terapia.

Fale sobre o seu blog “Falcão Maltês”.
O cinema é uma paixão na minha vida. Desde jovem, gostei muito de cinema. Aos poucos, fui enveredando pelo cinema clássico e me apaixonei mais ainda. Lancei o blog, que atualmente virou site. Isso criou uma visibilidade muito grande para o meu trabalho, chego a ter mil visitantes por dia. É um trabalho muito prazeroso, um trabalho rigoroso de pesquisa, no qual procuro traçar a trajetória do cinema, seja ele de Hollywood, seja ele da Rússia ou do Brasil; de uma linguagem que, embora seja simples, é cheia de detalhes.

Qual tipo de filme você costuma comentar?
Eu procuro contar a história desde o início, a base, não me prendo a filmes da moda. O blog tem um viés informativo, não é um blog de crítica de cinema, pois não sou crítico de cinema. Eu falo sobre os movimentos cinematográficos, diretores, atores e técnicos. É algo que me dá muito prazer.

Qual sua opinião sobre as redes sociais?
Creio no caráter positivo das redes sociais, uma vez que auxilia na divulgação do seu trabalho, dá ânimo para a criação de novos conteúdos, permite trocar ideia com muita gente interessante.

Nos fale sobre o seu processo criativo.
Eu sou muito organizado, muito metódico. Eu não acredito em inspiração, ela não funciona comigo. Eu acredito mais na técnica, a técnica me ajuda bastante na criação de minhas obras. Antes de me engajar em uma nova obra, separo tempo para tudo, rigorosamente: há uma hora para pesquisa, outra para a escrita e para a revisão. Nunca fui de estar na rua e, ali, receber uma ideia espontaneamente.

Qual o próximo trabalho de Antônio Nahud?
Eu estou terminando um romance, o “Homem sem Caminho”, cuja história fala da imigração clandestina brasileira. Além disso, estou sendo colaborador de um livro de entrevistas com o professor Diógenes, que deve sair nos próximos dias.

Em uma entrevista ao Potiguar Notícias, você falou que o cinema nacional não existia, você poderia comentar essa afirmação?
Eu falo muito no cinema nacional, mas ele não tem uma indústria cinematográfica capaz de se destacar mundialmente. A melhor fase do nosso cinema ocorreu nos anos 60. Saíram dali os melhores cineastas brasileiros, de Gláuber Rocha a Joaquim Pedro de Andrade. Então, não é que eu considere nosso cinema medíocre, temos ótimos atores, ótimos fotógrafos, mas não temos uma linha, uma continuidade. Ótimos filmes demoram a surgir, a grande maioria deles são banais; aos quais assistimos e, logo em seguida, esquecemos. Nosso cinema não tem prestígio algum fora do país.

Fonte: Tevista Conexão Potiguar