Manoel Cândido: "Os problemas ocorrem por falta de gestão"

22/08/2014


Dirigente da  Federação dos Trabalhadores Rurais do Rio Grande do Norte falou ao jornalista José Pìnto Junior sobre os problemas do homem do campo.

Após as últimas chuvas, a questão da seca já está superada ou ainda homem do campo ainda sofre devido a esse fenômeno?
As chuvas ocorreram de forma irregular, isto é, embora tenha chovido consideravelmente em algumas cidades, não foi o bastante para abastecer os nossos reservatórios; já em em outras, quase não choveu ou, simplesmente, não choveu nada. Então, o homem do campo poderá voltar a ter problema em um curto prazo de tempo, quando o pasto que cresceu começar a secar novamente.

A Fetarn, junto a outras instituições da sociedade civil que tratam dos assuntos relacionados aos trabalhadores do campo, está discutindo essa situação com as esferas estadual e nacional?
Com certeza. Nos últimos dias 20 e 21, realizamos, nacionalmente, a 18ª edição do Grito da Terra Brasil, com a coordenação da Contag. Esse evento teve a participação de todas as federações do Brasil, inclusive com a Fetarn, para discutir questões pertinentes ao contexto do semiárido nordestino. Além disso, realizamos encontros no próprios estado. Aqui, por exemplo, fizemos reuniões no Incra, no Centro Administrativo, na Emater; nos quais debatemos nossa pauta com várias secretarias do Governo relacionadas à questão da seca. Nós pretendemos continuar com esses debates, sempre buscando política e programa sociais que ajudem os trabalhadores a conviverem com a realidade do meio rural. Esse é o ponto chave, a convivência do trabalhador com essa realidade.

Algumas regiões do mundo são mais secas que o semiárido nordestino, porém, é possível observar que muita delas não passam pelo problema da falta d’água. O senhor não acha que  falta uma política definitiva para o fomento de uma convivência do sertanejo com a seca?
Com certeza, esse é o nosso grande debate. Vale dizer que alguma coisa já foi feita, não temos dúvidas disso. Porém, ainda não é o suficiente para levar uma vida estável e tranquila a esses agricultores a essas famílias.

Em 2015, há uma previsão de que o estado comece a ser beneficiado pelo projeto de transposição do rio São Francisco. O senhor considera que isso ameniza a situação?
Resolve em parte, uma vez que continuaremos a ter problemas. Isso porque, mesmo com tantas adutoras espalhadas pelo interior, ainda temos cerca de 1000 carros-pipa transportando água para as comunidades mais remotas.

E qual a solução para esse problema?
A solução é dar continuidade às ações já existentes: cisternas, barragens submersas, poços tubulares, dentre outras. Temos de resolver o problema de continuidade, uma vez que muitos projetos são abandonados com a mudança de gestão. Para você ter uma noção, temos centenas de poços furados, mas não instalados; quando apresentam problemas, demoram meses para que sejam consertados etc. Então, sem a continuidade, o trabalhador norte-riograndense sofre. O problema ocorre mais por falta de gestão, não por falta de dinheiro.
 

Fonte: Revista Conexão Potiguar