Paulo Davim: "A Saúde poderia receber recursos do pré-sal"

19/08/2014

Por: Pinto Junior

Médico, ex-deputado estadual, filiado ao PV, Paulo Davim que vem realizando elogiado trabalho no senado, falou no programa Conexão Potiguar sobre mandato, política e saúde.

Qual a avaliação que o sr. faz de seu mandato como senador?
É a bandeira da saúde. Principalmente porque tenho dado prioridade na defesa de um financiamento adequado para a saúde. Fui vice-presidente da Subcomissão do Senado que debateu justamente essa questão. Faço parte da Comissão de Assuntos Sociais, onde a temática maior lá é a saúde. Além disso, tenho um link direto com as entidades médicas nacionais e demais entidades de saúde. Sejam odontólogos, fisioterapeutas ou nutricionistas, todas as categorias que me procuram para debater assuntos dessas entidades sempre encontram em mim um aliado pronto para auxiliá-los.

Há uma discussão em torno de que grande parte dos recursos públicos da saúde vai para as entidades privadas.
Essa é uma discussão que não tem cabimento porque na hora em que a rede pública não atende a população, o sistema público tem que contratar o serviço fora. Vai deixar as pessoas morrerem? Em Natal, por exemplo, exceto o Hospital Universitário, não temos nenhum serviço público que faça cirurgia cardíaca. Nesse caso, o SUS tem que contratar hospitais privados para atender essa necessidade da população. A Saúde Suplementar atende 47 milhões de brasileiros, praticamente 1/4 da população. O SUS é responsável pelos outros 150 milhões. Apesar disso, a Saúde Suplementar gastou, no ano de 2012, R$ 67 bi. O SUS, R$ 126 bi. Ou seja, o sistema privado, responsável por 1/4, atendeu mais da metade do que se gasta com 3/4. O que se deduz é que o sistema privado gasta muito mais do que o sistema público em saúde. Então, há uma distorção muito grande.

Isso está dentro daquela discussão que o senhor já colocou em outro momento que a saúde é algo caro que precisa de várias fontes de  financiamento?
A saúde poderia receber, como fonte adicional, recursos do pré-sal, do marco regulatório da mineração e da taxação de grandes eventos, porque eles geram sobrecarga no serviço público. É preciso taxar a venda do cigarro. Noventa por cento dos cânceres de pulmão, boca e laringe tem o fumo como responsável. Dessa forma, nada mais justo que haja uma taxação adicional para que os recursos da venda do cigarro sejam destinados aos hospitais e demais instituições que tratam o câncer e outras doenças causadas pelo fumo.
No Brasil, 50 mil mortes por acidente de trânsito acontecem por ano. Nada mais justo, então, que 15% do valor das multas de trânsito sejam destinados para os hospital de traumas.
Além disso, para desafogar o sistema, tem que se investir num programa de saúde nas escolas. Na visão holística que as escolas precisam ter, a saúde precisa entrar. Desde pequeno, os alunos deveriam ter disciplinas ensinando questões básicas de saúde. A medicina começa com a veiculação de infromações que ajudam a evitar doenças, não na prescrição da receita.

Em certa medida, o “Mais Médicos” é um avanço nesse sentido?
Ninguém é contra o Mais Médicos. No entanto, o programa cometeu falhas inaceitáveis, como, por exemplo, a de resumir todo o problema da saúde na figura do médico. O programa não aborda a questão do financiamento ou mesmo uma política de recursos humanos.

Fonte: Revista Conexão Potiguar