Publio José escreve sobre a ditadura da democracia

14/10/2013

Por: Instituto Cortez Pereira

A cada dia o brasileiro fica mais desorientado com a eclosão de fatos à sua volta carregados de transtornos e prejuízos diversos, e que, em conseqüência, vêm atingindo a todos com agressividade incomum. Aliás, há tempos o brasileiro médio – aquele que pensa sair do trabalho para casa a tempo de assistir a novela, o noticiário, o futebol pela tv – é impactado com o que se passa no vídeo. Nele, vê-se o Brasil como se uma câmera desfocada gerasse uma sucessão de imagens distorcidas. Ou que um pintor, muito loucão, invertesse a lógica estética e trouxesse à luz algo muito além do que imaginam os mais empedernidos expressionistas. Crimes, mortes horrendas, assaltos, seqüestros, tudo ali, à frente de todos, oferecido por estrelas ascendentes do jornalismo televisivo, sempre às horas das refeições, feito prato comercial servido nos restaurantesself service da vida. Apelação? Realidade? Loucura?

Essa salada indigesta vem pontuando o dia a dia do brasileiro com uma regularidade obsessiva e ininterrupta – a fazer todos se indagarem “que país é este? onde estou afinal?” Além do mais, se observamos assim o que vemos no campo do crime, da marginalidade, do bruto e tenebroso terreno das delegacias de polícia, em outras searas o cenário não é diferente. Na política, por exemplo, o que acontece que leve o brasileiro a se orgulhar? O judiciário, por seu turno, à frente o Supremo – onde até pouco tempo se ancorava a esperança do brasileiro comum – lambuzou-se a tal ponto com a influência de governos e partidos políticos que hoje nem merece mais ser visto como “a suprema corte”. Suprema em quê, afinal? Pelo dicionário, o termo se mostra uma maravilha: dignidade, pureza absoluta, preeminência, o mais importante, superior a tudo.É assim que é visto o Supremo nos dias de hoje?    

Agora, vem somar-se a esse quadro horroroso as tais manifestações – os protestos de grupos organizados. E o que se vê? Em passeatas de professores, por exemplo, cenas de agressões, vandalismos, quebra-quebra, puro desrespeito à autoridade. Os alunos, em casa, confusos, vendo os mestres do saber, das boas práticas de vida engalfinhados com a polícia, certamente se indagarão se professor é aquilo que mostra a televisão. A todo instante, o termo democracia é distorcido, amarfanhado, para utilização da forma que mais agrada ao transgressor de plantão. Nas escolas, professores são espancados – e mortos – a bem da democracia escolar, amontoado de hábitos que confere à meninada uma impunidade absoluta, além de péssimos índices de aprendizado. Nos locais de trabalho, desceu pelo ralo a autoridade em louvor do igualitarismo que tudo pode. Não é da essência democrática a igualdade de direitos?

Nas esferas partidárias, alianças absurdas são sacramentadas sob o argumento de que “é necessário garantir-se a governabilidade”. Ah, pera lá! Governabilidade, teu nome é safadeza! Baderneiros, quando presos, são soltos em seguida, sem nada a pesar-lhes no cocuruto. Quando muito alguns arranhões, logo esquecidos em razão do estrelato garantido pela mídia. Enquanto isso, com receio de desagradar o que vai pelas ruas, governantes se omitem – e a ordem que vá pro beleléu! O intuito? Serem vistos como... democratas. Em casa, o brasileiro engole tudo isso, se perguntando se no dia seguinte encontrará de pé a loja onde trabalha. Impunidade, incivilidade, impatriotismo... Isso é democracia? Ou estamos, sem sentir, numa ditadura. De que tipo? Vinda de onde? Patrocinada por quem? Cadê o Brasil que amo? Brasiiiiillllll, onde estás que não respondeeeeeees? Te cuida, cara pálida!   

Fonte: Instituto Cortez Pereira