Rogo pela bênção poética...

12/10/2013

Por: Lívio Oliveira
Rogo pela bênção de Segundo Wanderley porque emprestou seu nome à rua em que vivi minha infância, tendo sido o primeiro nome de poeta que me chegou docemente aos ouvidos.
 
Rogo pela bênção de Ferreira Itajubá porque provou que a essência está mesmo no simples e a humildade se acompanha da altivez, mostrando-me que a tristeza também pode ser ensolarada.
 
Rogo pela bênção de Zila Mamede que realizou a hercúlea tarefa da transposição do mar para o seu não-tempo.
 
Rogo pela bênção de Gilberto Avelino que cantou um mundo envolvido pela brancura dos sais e me trouxe a certeza elegíaca de que o poema termina aqui, mas a poesia nunca tem fim.
 
Rogo pela bênção de Luís Carlos Guimarães, mestre que um dia me disse: “ – Escreve teu livrinho, poeta!” E, com isso, consagrou-me antecipada e generosamente, mesmo que eu nunca tenha escrito.
 
Rogo pela bênção de Franco Jasiello, poeta de dois mundos, que deu o aval para que meu primeiro livrinho, que colecionava horas (mesmo que jamais escrito), fosse publicado.
 
Rogo pela bênção de Sanderson Negreiros, mestre generoso e que preciso rever urgentemente, que um dia me disse: “ – Nunca trate o seu livro por ‘livrinho’. Ele ficará triste.”
 
Rogo pela bênção de Newton Navarro, o poeta que viveu como tal e vive, monumentalizado sobre o Atlântico e o Potengi, numa cidade louca e linda chamada Natal.
 
Rogo pela bênção de Marize Castro, que me trouxe – nas primeiras descobertas da poesia do meu povo – uma referência eterna em cor, forma e delicada textura.
 
Rogo pela bênção de Moacy Cirne, pelas gentis conversas em torno da poesia divina e da imagem das alvas barbas de Deus, creia-se ou não se creia.
 
Rogo pela bênção de Juliano Homem de Siqueira, que traz no sobrenome o orgulho que existe no mais puro elemento humano e que riscou o meu primeiro livro (jamais escrito) com palavras da luta social.  
 
Rogo pela bênção de Iara Carvalho, que mantém o meu olhar natalense virado para as terras míticas e um casarão poético em meio às paisagens do meu Seridó paterno e materno.
 
Rogo pela bênção de Volonté, com quem já caminhei tanto pelas ruas e becos ensolarados e bucólicos de Natal.
 
Rogo pela bênção de Carmen Vasconcelos, quem me apresentou pela primeira vez aos parceiros do pequeno (e, por isso mesmo, tão significativo) mundo literário potiguar.
 
Rogo pela bênção de Jarbas Martins, o mais completo mestre que já tive e tenho – em teoria e prática – e que me ensina diariamente o sentido e o norte da poesia, não somente como técnica e forma, mas como vetor de conduta ética e de paixão pela arte e pela vida.
 
Rogo, de joelhos e com as mãos espalmadas, por todos os poetas de minha terra. E rogo pela poesia que os guiará em meio aos sóis e às águas do rio e do mar. 

Fonte: Potiguar Notícias