Marcílio Dantas:

17/01/2013

Por: Potiguar Notícias

 

Candidato derrotado à Prefeitura de Ceará-Mirim, mas com 14% dos votos, o engenheiro Marcílio Dantas esteve no Alpendre do PN, onde conversou com os jornalistas José Pinto Jr. e Cefas Carvalho sobre a campanha, expectativas e Região Metropolitana de Natal. Confira: 
 
Qual a avaliação que o você faz da campanha?
O nosso desempenho foi gratificante: entramos de cara limpa, sem recursos, nosso orçamento foi pífio e nós tivemos 14% dos votos de um município na Grande Natal disputando com três fortes grupos, incluindo de um ex-governador e senador e o grupo do vice-governador Robinson Faria. Assim, entramos em um embate forte, porém nós pontuamos. Quando se pontua também se está semeando. E quando se semeia, colhe-se no futuro. 
Estabelecemos nossa forma de ser, de fazer política, como o nosso país exige hoje; uma política transparente, aberta e que dá a cara para críticas das pessoas, assim como propostas e ideias. Assim participamos da campanha em Ceará-Mirim. E para nossa surpresa obtivemos mais votos na cidade do que no interior. Saímos derrotados eleitoralmente mas com esperanças boas para o futuro. Agora precisamos escolher novos grupos, buscar parceiros no contexto municipal e estadual.
 
Você concorda que a desunião da oposição foi o que provocou a vitória de Peixoto?
Com certeza. Peixoto se elegeu com 30% dos votos. Se tivesse havido qualquer tipo de união da oposição provavelmente ele não seria o prefeito, ou seja, se o processo de terceira via que criamos em Ceará-Mirim tem ido até o final, nós teríamos ganhado a eleição. Infelizmente ocorreram ações extra compromisso entre os integrantes que fez com que a terceira via não chegasse ao fim e se tem chegado  provavelmente teria ganho.
 
Faltou união da 3ª via?
Faltou união e sobrou interferência externa de empresários, de pessoas que coordenam campanhas em Ceará-Mirim, que participaram de reuniões e escolheram um candidato que não estava incluído no acordo da terceira via. O acordo era colocar o primeiro na pesquisa como prefeito, o segundo como vice e os demais ir acomodando. 
 
Sua expectativa para a segunda gestão de Peixoto?
Dificilmente pau que nasce torto se endireita, como diz o ditado popular. Para que Peixoto acerte no segundo mandato ele teria que mudar completamente a cara da sua equipe. Normalmente quando você muda o prefeito há mudanças na equipe, porém houve uma reeleição e consequentemente ele pode mudar até os cargos, mas não os entes que vão ocupá-los. Na minha opinião o primeiro passo deveria ser  uma revirada no plano diretor da cidade, começar a trabalhar um novo plano diretor para que esteja pronto antes do fim deste ano para gerir a cidade de acordo com ele. O segundo ponto seria resolver o problema crônico da água que a cidade tem. Peixoto está implantando um projeto da gestão de Ednólia e está implantando agora. Isso é um equívoco pelo qual a cidade vai pagar pelos próximos  anos.
 
Que projeto é esse?
Um projeto de criação de uma estação de abastecimento d’água, porém a captação dessa água vai ser da Lagoa de Extremoz. Natal já está fugindo de Extremoz. Para se ter uma ideia o Aeroporto de São Gonçalo vai buscar água em Riachão, que é em Ceará-Mirim. Temos um potencial de água em nosso subsolo bastante considerável na qual, junto ao Ministério Público Federal, poderia  buscar modificar  a forma de elaboração do projeto e começar a captar água do subsolo da cidade. Seria econômico e não daria continuidade a um equivoco e captação de água contaminada de Extremoz.
 
A impressão que temos é que Ceará-mirim é um município atrasado em relação aos outros próximos que já criam uma consciência metropolitana. Você partilha desse sentimento?
Ceará-Mirim parou no tempo quando direcionou para um único setor sua atividade econômica para a área sucroalcooleira, consequentemente a área de cana não poderia ser ocupada e a mão-de-obra que o município formava era para cana-de-açúcar. A cidade isolou-se durante essa crise que existe no município devido a briga de empresários dessa área e isso fez com que a cidade ficasse bem atrás dos demais municípios. Além disso, a expansão urbana, ao invés de acontecer a caminho de Natal, está indo para o lado oposto. O que ainda salva a cidade é o fato de ter um meio de transporte popular: o trem urbano. Isso salva a cidade, porém incha Natal com mão-de-obra informal.
 
Marcílio, você pode comentrar sobre o impasse nas usinas que gera tanto desemprego em Ceará-Mirim?
Infelizmente, esses dois camaradas não entram em acordo. A usina está sob intervenção, que foi feita justamente para solucionar a questão do emprego e garantir a empregabilidade do município. Mas hoje a usina não tem nenhum empregado. Não é interessante brigar com a Justiça, mas chamar a atenção dela para que cumpra seu papel mediante esses dois empresários e faça com que a cidade volte a gerar emprego e renda dentro desse setor sucro-alcooleiro, o que hoje é muito difícil e se é difícil, busque apoio do governo. Já que os empresários não se entendem vejam se o governo não pode assumir a empresa; se a Petrobrás não pode assumir esse papel e se aquilo não pode voltar a funcionar, tendo em vista a quantidade de terra ociosa.