Evandro Borges

24/06/2022

 

A constatação da crise brasileira
 
 
A política dos preços dos combustíveis com aumentos constantes e sucessivos, privilegiando os acionistas internacionais em detrimento da população brasileira chama atenção para a crise. Em nome de recuperar uma empresa brasileira, sem investimento no seu parque tecnológico ou no seu capital social e humano, mas, dolarizando os preços dos derivados do petróleo alcança-se lucros espetaculares com a especulação, chamando este estado de coisas de neoliberalismo coloca mais insumo em um contexto desanimador.
 
Por outro lado, tenta jogar uma cortina de fumaça, como a culpa esteja nos tributos estaduais, com uma proposta legislativa inócua afetando a arrecadação, que nos primeiros aumentos do barril será sentido nos preços das distribuidoras, que por via de consequência afetará diretamente o consumidor, como se em outros países os combustíveis não sofresse tributação, pois na União Europeia de “países do primeiro mundo”, se paga tributos bem leoninos.
 
O governo federal depois de vender quase tudo em relação aos derivados do petróleo, e até distribuindo dividendos em escala nunca vista, de vir com falácia de CPI para a Petrobras e de mudanças de seus dirigentes como se fosse mudar a realidade, todavia a opinião pública se mostra contraria, principalmente, que tais medidas afetarão, também as políticas públicas, mesmo em face das emendas aprovadas no Senado, que talvez não seja mantida na Câmara.
 
O aumento dos preços dos combustíveis, atinge, principalmente o modal de mobilidade nacional, o transporte rodoviário. Os preços de transporte púbico via urbana em completa crise. Os preços das tarifas já não são mais compatíveis com os custos operacionais das empresas. Obrigando muitas municipalidades concederem subsídios, uma incongruência para quem canta em verso e prosa, o neoliberalismo exacerbado e economia de livre mercado. 
 
  O salário mínimo abaixo de duzentos e quarenta dólares, sem uma política definida, caindo o poder de compra associada uma inflação anual acima de dois dígitos empobrece os brasileiros e com a subida dos produtos da cesta básica, de forma contínua, provoca uma diminuição da alimentação para a família brasileira em geral, afetando as condições de saúde.
 
O quadro é estarrecedor com doze milhões de desempregados, com trinta milhões de pessoas passando fome, de analfabetismo crônico com mais de trinta milhões brasileiros que não decodificam a língua materna, forma um cenário assustador, provocando mais violência em toda parte, em que pese aumento do estado policial, com tanta gente aprisionada em condições que fere a dignidade humana.
 
O contexto deve ser de muita reflexão, pois o desenvolvimento brasileiro está em crise. Em todas as esferas, principalmente nas cidades para conviver com tantas favelas, casas fixadas em encostas que não podem ver qualquer chuva e ainda palafitas. Transito caótico. A fome está voltando com as pessoas esmolando pelas ruas, não pode deixar ninguém satisfeito.
 
De tanto falarem da Venezuela e Cuba, o Brasil está entrando em um processo de empobrecimento, que se pode dizer: “A Venezuela é aqui”. Até um estado do crime organizado que mata indigenistas e meio ambientalistas emergiu. Encontrar a via do desenvolvimento sustentável dentro da pluralidade, da diversidade cultural, do diálogo e pelo caminho da democracia é um tarefa a ser construída neste momento de crise brasileira.