Bia Crispim

20/05/2022

 

17 DE MAIO PRA QUÊ?

 

Em 17 de maio de 1990, a OMS retirou do CID – Código Internacional de Doenças – o chamado “homossexualismo”. Considerada uma doença até então relacionada à perversão e a transtornos psicológicos, a HOMOSSEXUALIDADE (termo correto, visto que o sufixo “-ismo” remete a doença, o que já se provou que não é) era (e ainda é, apesar dos avanços) alvo de perseguições, preconceitos, violações e até de terapias de reversão (a sonhada “cura gay” destinada aos gays/lésbicas/travestis que queriam fingir para a sociedade que deixaram de ser gays/lésbicas/travestis; ou para os pais que não aceitando seus/suas filhos/as/es também recorriam a essas terapias)

 

Como disse, apesar dos avanços, ainda há uma parcela da população mundial que não só continua classificando a homossexualidade ou qualquer outra dissidência de gênero como doença, como também continua perseguindo, agindo com preconceitos, violando direitos arduamente conquistados e teimando em acreditar em “cura”. Sobretudo aqueles/as que estão intimamente ligados às convicções religiosas fundamentalistas e radicais das mais diversas religiões e seitas mundo afora.

 

Transformar a data da retirada da homossexualidade do CID em dia de combate a LGBTfobia é de uma potência e de uma importância incomensurável. Isso permite que todos os anos (há 30 anos) a sociedade seja lembrada que as questões ligadas à sexualidade humana, às identidades (pessoais e intransferíveis), aos gêneros, aos desejos, aos afetos, às relações eróticas e de prazer compõem um entre vários aspectos da pluralidade de ser um ser humano. Somos diversos, ponto!

 

Celebrar essa diversidade combatendo a intolerância, a falta de respeito, os preconceitos para com a comunidade LGBTQIAPN+ com um marco histórico da conquista de um direito legítimo dessa comunidade reforça a premissa de que, sim, temos direitos como quaisquer outros/as/es cidadãos/cidadãs/”cidadães”; reforça a premissa de que não, não somos doentes transtornados porque não vivenciamos nossas sexualidades/identidades como normatiza a cisheteronormatividade; reforça o que é mais óbvio: o quanto somos diferentes uns/umas/umes dos outros/as/es.  

 

Reforçar essas ideias reafirma nossas conquistas, nossas ocupações, nossos direitos, nossas existências, nossas resistências, nossas lutas... Chama a sociedade como um todo para se juntar a nós, para nos ver e nos enxergar, nos olhar de frente e nos perceber tão iguais quanto todo mundo quando gritamos por justiça, segurança, educação, trabalho, saúde, moradia, alimentação, espaços na sociedade, um lugar ao sol. (E quem não quer?)

 

17 de maio é data não só de se marcar no calendário, mas também é data para refletirmos (sejamos pessoas LGBTQIAPN+ ou não), é data para comemorarmos, é dia de esclarecimento, de combate, de educação, de fortalecimento, de inclusão... O dia 17 de maio deve ser lembrado nas escolas, nos ambientes de trabalho, nas indústrias, nos espaços coorporativos, na padaria, no hospital, na biblioteca, na igreja, no comércio... Em todos os lugares onde qualquer pessoa tem o direito de frequentar e estar inserida.

 

Porque só tirando a data do calendário e trazendo suas mensagens para serem absorvidas e praticadas na vida real é que poderemos mitigar as perseguições, os preconceitos, as violações de direitos, e dar um basta nas tenebrosas terapias de reversão (sobretudo dentro das igrejas) – essa desejada e às vezes imposta “cura gay” destinada aos gays/lésbicas/travestis que ainda querem fingir para a sociedade que deixaram de ser gays/lésbicas/travestis; ou para os pais que não aceitando seus/suas filhos/as/es continuam recorrendo a essas “terapias”, mesmo proibidas por lei, e mesmo sabendo que a única coisa que estão fazendo é trazer mais dor e mais sofrimento para todes.