Bia Crispim

06/05/2022

 

UM LIVRO, UM FILHO

 

Nem sei por onde começar, se pelo frio na barriga, se pelas lágrimas nos olhos, se pelo impacto de ver meu primeiro livro publicado. Primeiro sim, porque virão outros. A experiência de ser mãe de livro deixa você com vontade de parir mais.

Uso a metáfora da gestação pra falar de dar à luz a um livro/filho, pois ele é realmente gestado. Não nove meses, às vezes, por anos, às vezes, em dias. E ele vai amadurecendo em uma bolsa criativa onde, em poesia ou prosa, pode se desenvolver grande e robusto ou pequeno e débil, como acena Natalia Borges Polesso, que em seu livro de contos “Amora”, dividi suas histórias em “grandes e suculentas” ou “pequenas e ácidas”

Estar com um livro no colo é pensar em orgulho de mãe, é querer que todo mundo conheça o rebento. É querer que as pessoas constarem que ele é lindo, e se não o for aos olhos de quem vê/lê, não deixa de ser a coisa mais linda do mundo para quem pariu.

Eu sou mãe de livro, mãe de obra recente, menino saído do forno feito pão quentinho e cheiroso (e como livro novo cheira), saído de um útero que só quem escreve sabe onde fica. Útero irrigado de tantas letras, de muitas palavras, de mundos tão reais quanto (im)possíveis.

Meu menino, tão pequeno e tão tímido ainda, mas tão cheio de fantasias e sonhos, nasceu. E vou alimentá-lo assim como me alimentei/alimento desses coisas boas que o sonhar me traz a vida toda, na certeza de que a realidade não me é suficiente. Que ele se cresça e se fortifique, que ele desbrave caminhos, conheça pessoas e ensine, que ele seja capaz de ofertar um horizonte onde fiar sonhos é mais que viagem e vontade de uma mãe escritora, babona e besta.

Hoje eu sou só júbilo, só orgulho e só brilho nos olhos, e diante de mim a única coisa que enxergo é que “NO HORIZONTE TEM CHUVA FIANDO”.

Evoé!