Liliana Borges

30/04/2022

 

FLORES DO MONTIJO, Capital da Flor …

 

Montijo é a “Capital da Flor” em Portugal, pois a região é maior produtora de flor de corte do país responsável com aproximadamente 70% da produção. A zona está próxima de grandes centros como Lisboa, a cerca de 34 km na sua área metropolitana, e ao mesmo tempo é agrícola, chegando a ser a maior produtora de “Gerbera” da Península Ibérica.

No Concelho as flores são cultivadas em estufas por volta de 200 hectares, entre elas as mais produzidas são os Crisântemos, a Rosa, o Cravo, o Gladíolo e a Gerbera que é dominante alcançando 50 hectares e, ainda mais, 25 hectares com produção de bolbos e plantas ornamentais em ar livre.

A origem desta atividade na região é oriunda de duas famílias que vieram do norte de Portugal a quase meio século, Andrade e Gonçalves, fixaram-se nestas terras e foram pioneiros no cultivo e comercialização de flores em grande quantidade. Atualmente no Município o segmento agrícola é uma importante atividade econômica onde emprega centenas de pessoas, produzindo em torno de quinhentos mil pés de diversas variedades e vinte milhões de pés de Gerberas anuais.

Procurei a Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais – APPPRN para solicitar uma visita guiada às estufas e fui acompanhada pelo Vice-Presidente, Engenheiro Rui Algravio da Empresa Floragri, biólogo de formação, quem atenciosamente me apresentou algumas fabulosas plantações, como também, enriqueceu o percurso com seus vastos conhecimentos sobre a matéria.

A associação foi constituída em 1982, lidera a produção nacional e integra viveiristas, produtores de ornamentais de exterior e interior, produtores de flor de corte, folhagens, entre outros. Seus associados com intuito de promover a produção nacional e regional criaram a marca “Flores do Montijo” e atualmente alberga 80% da produção nacional.

A “Floragri” a empresa que visitei produz Gerberas em maior quantidade, aproximadamente, cinco hectares entre outras variedades. A flor é muita apreciada pelos portugueses em decorrência da diversidade de cores e formas e não somente por eles, pois enchem nossos olhos com sua beleza ativando todos os sentidos.   

Os clientes procuram cada espécie e características de acordo com o evento ou data festiva como as vermelhas na altura do dia dos namorados. As bicolores são fascinantes, pois é arte pura que com diversas experiências e testes vão melhorando, aperfeiçoando e nova variedade vai surgindo cada uma mais bonita que a outra, fruto de belas criações.

Cabe ressaltar que a empresa combate as pragas sem resíduos, trabalham com auxiliares distribuídos pelos funcionários que os colocam sobre as plantas como os predadores e parasitoides que irão controlar os surtos, a exemplo da mosca branca que surge com mais frequência, assim, as flores não possuem componentes químicos e nem tóxicos, as quais são completamente limpas e mais naturais possíveis.

Parte da produção, ainda, é no solo método tradicional, devido a frequência de doenças passou para hidroponia que contempla a ciência, a arte, a técnica de cultivo de plantas em uma solução nutritiva sem solo. No vaso recebem a medida exata de nutrientes que necessitam e as plantas são menos acometidas por enfermidades.

As culturas mais produzidas inicialmente eram os Cravos e as Rosas. Curiosamente na altura da Revolução em 25 de abril de 1974 o primeiro era a flor mais comercializada e de menor preço, presente no mercado em abundância. Estes chegavam ao “Mercado de 24 de Julho” em Lisboa originários do Montijo e após distribuídos aos vendedores. Na época representavam 80% da produção e hoje apenas 20%, porém o Cravo marcou o período nominando a “Revolução dos Cravos”, a qual extinguiu o regime ditatorial passando à democracia.

 Relembrando a história, dizem que os Cravos foram distribuídos por uma funcionária de um restaurante, o qual celebraria o seu primeiro aniversário e seriam ofertados aos seus clientes, não houve a comemoração em decorrência da ação militar e o proprietário doou aos seus trabalhadores. Uma delas no caminho à casa como não tinha o que oferecer aos soldados doava uma flor.

Mais uma versão seria que no Rossio havia muitas vendedoras de flores e na ocasião presenteavam aos soldados vitoriosos, qualquer que sejam os fatos marcaram a época, os combatentes enfiavam os cravos nos canos das espingardas por não ter onde os colocar, e assim, comentam-se que não foi disparado um único tiro, virando o símbolo da revolução.

 As Margaridas é outra variedade que vem se firmando no mercado e cresceu muito sua comercialização nos últimos anos. Antigamente eram ligadas aos funerais e finados, mas com a diversidade de cores e formatos se tornaram mais atrativas. É uma planta que se adapta ao clima e solo da região, mais robusta, tem menos doenças e não necessita de tantas rotações, além de ser muito graciosas.

No mês de maio comumente acontece a “Festa da Flor”, a edição de 2022 será realizada pela Câmara Municipal do Montijo em parceria com a APPPFN que acontecerá no período de 27 a 29 na Praça da República. A Cidade fica lindamente decorada, como também, está previsto contar com espaço infantil, gastronômico, animação de rua, espetáculos musicais, entre outros.

Finalizando minha manhã fascinante proporcionada pela formosura das flores, ainda, ganhei um presente da natureza por alguns instantes, a presença de um mimoso “Periquito” amarelo que pousou no meu celular enquanto eu registrava sua imagem. Momentos preciosos, segundos que vão ficar na memória, a vida é feita de ocasiões especiais…

“Flores do Montijo”, Gerberas as minhas preferidas, simplesmente, beleza estonteante…

Confira o vídeo sobre o assunto no meu canal no YouTube: LILIANA BORGES EM PORTUGAL - https://youtu.be/6qQR_-fat5E