Eliade Pimentel

11/04/2022
 
Uma estância zen com vários Piuns
 
Fiz uma reportagem em 2012 cujo título era “A estância zen de Pium”, escrita por mim e editada pela jornalista Cinthia Lopes, publicada no extinto caderno Fim de Semana da Tribuna do Norte. Até hoje tem a matéria no site, é procurar e fazer o teste. O que ainda funciona da minha listinha dos pontos turísticos gastronômicos, paisagísticos e contemplativos, situados ao longo na Rota do Sol, da Vila de Pium até Pirangi do Norte, distrito de Parnamirim, e uma quebradas pela Colônia de Pium, saltando para Nísia Floresta e as adjacências do Lago Azul.
 
Agora mais recentemente, recebi um convite e de pronto aceitei. Passar parte do domingo tomando banho de rio numa chácara ou, como muita gente prefere dizer, granja, tipo de propriedade comum pelas estradas empoeiradas dessas plagas campestres. Um terreno, umas benfeitorias e com bastante sorte (para visitantes), uma beira de rio. Neste caso, muito bem cuidada por sinal. Agregados os grupos, (pré)fixos (as “donas” do pedaço), flutuantes (visitantes recorrentes) e estreantes (como eu), ajudamos a compor um povo que gosta de curtir a natureza. 
 
Não tive coragem nem de fazer fotos. Nada de registros digitais. Ficou gravada em minha mente aquela sensação maravilhosa de deitar no rio, olhar para o céu, fazer um giro com o olhar e não ter prédio para interromper a paisagem. No rio, banhando feito mães-d´águas, ouvindo as histórias contadas de quando era menina, e a explicação sobre a decisão de ocupar aquelas terras até então administradas pelo pai, fiquei admirando a força de vontade de minha amiga e de sua companheira para prepararem o terreno com intuito de viverem em paz. 
 
Com zelo, amor e cumplicidade, estão construindo um refúgio que em breve será compartilhado para atividades de baixo impacto. Naquele encontro forjado ao acaso, éramos mulheres e homens, entre os quais, dois meninos e uma idosa, todos e todas, moradores de Pium. De cima. A vila. Vila das Flores, Chácara Pimentel. Dois endereços na mesma rota, de pessoas que ali estavam se conhecendo. Acho que quase todo mundo se conhecia, menos eu, que há tanto tempo transito nessas imediações. Fiquei ainda mais feliz pelo convite, por perceber o quanto temos pessoas maravilhosas, que moram na nossa Estância Zen. 
 
Depois do passeio ao rio, voltei para casa e li a mensagem de uma mulher que eu conhecera no ponto de ônibus. “Li seu texto sobre Pium”. Pareceu-me um tanto quanto genérico ela ter dito daquela forma. E encerrou com um convite. “Vamos no ver”. Que texto, senhorita. Fiquei sorrindo internamente. Acho que outra crônica, justamente deste Potiguar, pois aqui e acolá me pego falando da comunidade onde eu vivo. Especificamente teve um que fiz por sugestão de pauta do jornalista Pinto Jr., saudoso fundador deste complexo de comunicação. 
 
Tive ímpeto de escrever sobre esse tanto de Piuns que adornam e colorem essas comunidades, de gente nativa, gente do interior, gente de todos os lugares, que vivem entre Nísia Floresta, Parnamirim e São José de Mipibu. São dunas, são beiras de rio, são áreas urbanas como no entorno da RN-063. Vivemos de forma quase zen, gostamos de viver em paz com a natureza, aproveitamos o que conseguimos comprar com economias ou o que herdamos (gosto de dizer que eu ajudo a preservar, a cuidar de uma área) e queremos nos alimentar cada vez mais do que plantamos. 
 
Salve a moçada da permacultura, da agroecologia, da educação ambiental, da limpeza dos rios, do turismo ecológico. Salve os piúnicos, salve as piúnicas. Aqui, fazemos jus à marchinha escrita por Lupe Albano, um dos nossos artistas adotados: “o menos louco, baba!” Aqui, somos loucos (as) por natureza!