Eliade Pimentel

21/03/2022
 
Estado civil: livre e leve para viver 
 
Tem gente que me pergunta porque ainda estou namorando e não casei com meu companheiro, visto que estamos há um bom tempo juntos. Normalmente, respondo que temos nossa própria logística, o que me faz pensar em liberdade. Falando sobre o assunto relacionamento com uma amiga, quando enfatizo que tenho tratado minha história atual de forma bem diferente de casamento, evitando os grudes corriqueiros de casais, ela disse logo que com ela não funciona. “Deve ser meu ascendente canceriano”, disse. E eu respondi: pois meu sol em sagitário pede por isso, não ser codependente de ninguém, a não ser de mim mesma. 
 
Mas, as pessoas acham esquisito Até minha filha estranha quando me vê sozinha em algumas datas emblemáticas ou finais de semana. Na última sexta, eu saí com uma amiga, demos um bom rolé por Pium, fomos à praia curtir o lual com o cantor Alan Persa, conversamos besteira, voltamos tarde pra casa. Foi tão bom. Não me senti só, coloquei a conversa em dia e me diverti bastante. Fazia tempo que eu não dava o ar da graça pela comunidade. Encontrei várias pessoas bacanas que disseram estar com saudade de mim. Foi massa. Interagi com o meu rapaz pelo watsapp e foi o suficiente para sentir sua presença. Tive vontade de vê-lo, sim, mas minhas demandas pessoais me mantiveram em casa, e eu estava bem. 
 
Sempre que posso, falo com as pessoas sobre essa temática. Mesmo morando na mesma casa, os casais têm que se desgrudar. Por que somos obrigados a ter a mesma companhia para todas as ocasiões, com se fosse uma regra? Ano passado, optei para ir com minha filha passar o natal com meu amigo e compadre e com sua mãe, que nos trata como sobrinhas. Chamei meu namorado, ele preferiu ficar em casa. No réveillon, mesma coisa. E eu curti as duas festas sem ele. Meu almoço de aniversário também, que foi em dia de semana. Depois, recebi umas críticas de uma terceira pessoa, dizendo que não o incluo na minha agenda festiva. 
 
Ora, pois. Eu convido, se não quer ir, significa que irei sozinha ou com outra pessoa. Até para os jogos do América eu já arranjei com quem ir, meu grupo de amigas Bravas Alvirrubras, justamente por compreender que ele também tem vida própria, tem seu círculo de amizades, independente de minha pessoa. Acredito que as pessoas têm que respeitar mais a individualidade umas das outras. Tem dias de eu não achar bom, tem dias de eu querer estar acompanhada do meu gato, mas nem sempre tenho tudo o que desejo, e procuro compreender. Há dias e dias. E uma coisa que aprendi na vida foi esperar o começo e o fim de um ciclo, aguardar que um dia começa e outro termina. 
 
Quanto mais o tempo passa, tenho mais certeza de que o caminho que devo seguir é esse mesmo, e me inspiro no filósofo francês Jean Paul Sartre e a teoria do existencialismo. Aliás, sinto-me uma personagem do seu livro A Idade da Razão. É muito bom sermos nós mesmos, mesmo que tenhamos uma pessoa para dividir momentos íntimos. “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, já nos afirmou Caetano Veloso em Dom de Iludir. E vivamos cada diz como se fosse o último. Assim, eu penso. Assim, eu vivo. Sou feliz por ser eu mesma, livre, leve e solteira. No cartório e na vida.