Eliade Pimentel

14/03/2022
 
Confundem T de trabalhador com b de bandido
 
Polêmica da semana: a quem pertence o direito de usar o boné do MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Apropriação indébita da causa ou identificação com a luta pela reforma agrária. O dilema foi levantado por algumas pessoas que não têm ciência de que a bandeira do movimento é por algo que beneficia toda a sociedade. Quem não gosta de se alimentar bem? Pois, se a busca for por comida de verdade, tem por aqui. A prova é: maior produtor de arroz agroecológico da América Latina. 
 
Então, além do boné, vamos vestir a camiseta e empunhar a bandeira também. Vamos fingir que M significa a Resistência dos Trabalhadores Sem Terra em continuar na batalha, mesmo em meio às intempéries do tempo. Passam pelas maiores tempestades e continuam sorridentes, ofertando tudo o que possuem, que é o alimento produzido com o suor da sua labuta, extraídos da terra pela força do seu amor aos demais seres humanos. 
 
A premissa central dos milhares de trabalhadores representados pela sigla é ter o direito de trabalhar em terra própria; mulheres e homens, chamados trabalhadores rurais sem terra, partilham do sonho de cultivar toda sorte de vegetais, para alimentar, para curar, para ornamentar, além de fibras naturais, seja para consumo próprio, para dividir ou para comercializar. A vida dos agricultores e agricultoras familiares que compõem o movimento é 100% dedicada à terra. 
 
Percebi o ranço dos direitistas aos itens que compõem a identidade visual do MST um dia desses, praticamente na mesma semana em que o movimento se levantou e disse: quem tem o direito de usar nosso boné é quem se identificar com nossa luta pela reforma agrária. A narrativa que circulou nas redes sociais foi essa. E eu boto fé. E não é só p MST que merece a identificação. Tem a Marcha das Margaridas, Marcha das Mulheres, e tantos outros movimentos sociais que representam a classe operária brasileira. 
 
Eu senti uma retaliação da imprensa bozonara esses dias, ao postar no perfil oficial da secretaria em que trabalho um vídeo que mostrava rapidamente a bandeira, o bonés e algumas camisetas nas barracas que o movimento utiliza (por direito, em uma construção coletiva para ocupação dos espaços) para expor seus produtos na Feira do Centro Administrativo da Agricultura Familiar e da Economia Solidária, gerida pela Sedraf-RN. 
 
Acusaram o movimento de vender camisetas do ex-presidente, mas além da acusação ter sido infundada, o texto era mais agressivo, referindo à venda dos itens da marca em local público como se fosse um crime. Aproveitando a deixa, já convidei o movimento para expor na nossa propriedade em Pium. MST na Rota vem aí, toda sexta-feira, pela manhã (cm estreia prevista para 18/03). Hortifruti in natura, produtos beneficiados com a marca Terra Livre Agroecológica e os acessórios tão falados. Av. Joaquim Patrício, 1360. Se achegue! Vai ser bom demais!