Bia Crispim

04/03/2022

 

POR UM FEMINISMO TRANS e TRAVESTI!!!

Na coluna de hoje quero compartilhar com vocês esse verdadeiro manifesto feito pela companheira Bruna Benevides (@brunabenevidex). Inclusive, tomei como empréstimo para o título da coluna o mesmo dado por Bruna para sua postagem feita essa semana no perfil do Instagram da ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transexuais (@antra.oficial   - https://linktr.ee/antrabrasil), em que ela traz uma discussão importante sobre o “ser mulher”, sobre os movimentos feministas (muitas vezes transexcludentes), sobre as bandeiras comuns que mulheres cis e Trans travam todos os dias pela não subalternização de seus corpos e suas existências.

 

O manifesto vem na legenda de um post intitulado MARÇO DE TODAS AS MULHERES e com uma mensagem de apresentação que diz: “É inaceitável a ideia que avançar os direitos de mulheres trans faz retroceder direitos de mulheres cis.” – ideia essa que, infelizmente, está em discussão em espaços ditos feministas, sobretudo nos espaços em que imperam as ideias Radfem – as feministas radicais que acreditam no conceito de mulher universal.

 

Convido, então, você que lê esta coluna, a conhecer o trabalho incansável da ANTRA e de Bruna Benevides (citadas aqui simbolicamente e representando todas as entidades e pessoas que lutam pelas causas da comunidade LGBTQIAPN+, principalmente das causas Trans/Travesti). Convido você, sobretudo, mulher cisgênero a fazer a reflexão proposta nas linhas a seguir. Convido você a se juntar na luta contra tudo aquilo que oprime, violenta e extermina TODAS as mulheres.

 

 Com vocês, Bruna Benevides e ANTRA:


“A subalternidade alcança mulheres de diversas formas e é um grande desafio para os feminismos (e para feministas) enxergar e enfrentar a subalternidade das mulheres sem hierarquizar a dor que sentimos. Dor é dor. Dor e opressão não se discute!

 

A subalternidade de gênero que alcança as mulheres cis é a mesma que nos mata. Que nos silencia e nega a nossa identidade. Que nos proíbe de usar banheiros. Que permite sermos espancadas a luz do dia ou esquecidas por anos no cárcere. Nos nega o direito ao afeto. Nos nega um lugar, um nome, uma família. Que nos fetichiza, explora e abusa de nossos corpos.

 

Travestis e mulheres Trans sempre estiveram em lugar de subalternidade. E sair dele tem sido uma tarefa bem difícil.

 

Sempre fomos colocadas em um lugar de uma completa invisibilidade e ocupamos o lugar da hipervisibilidade negativa quando exploram a subalternidade e os processos de marginalização de nossa população em detrimento de nossas conquistas.

 

A identidade de gênero feminina das travestis e mulheres Trans não deveria ser assunto de discussão, especialmente no feminismo. Pois ele também é o nosso lugar. Deveríamos discutir formas de enfrentar JUNTAS a violência de gênero, o cissexismo, a transfobia, a misóginia, o Racismo e os desafios de ser mulher em uma sociedade machista, racista, colonial, neoliberal e patriarcal.

 

Não excluam as Travestis e Mulheres trans dos espaços de luta. Nossa luta não atrapalha em nada a luta de qualquer outra mulher. E a nossa força é suficientemente capaz de contribuir grandiosamente com os feminismos. Lutemos juntas!

 

Lute como uma Mulher,

Resista como uma TRAVESTI!”