Cefas Carvalho

24/02/2022
 
​​O Carnaval dos privilegiados​
 
​Não vai ter Carnaval. Mas, vai ter Carnaval.
 
Sim, é isso.​
 
Há algum tempo foi anunciado pelos prefeitos de Natal e de Parnamirim, respectivamente Álvaro Dias e Rosano ​Taveira, que as prefeituras não realizam festas de Carnaval em virtude ​da pandemia, da variante ómicron e da alta de taxas de óbitos e internações por Covid-19. Certíssimo!
 
Contudo, se as festas de ruas, tradicionalmente realizadas ou tendo apoio do poder público não serão realizadas, as festas privadas ou particulares foram liberadas. Não vou dizer que está errado. Quem quiser que faça sua festa em caráter privado e com as pessoas que escolher ou comercializar. 
 
Mas o fato é que essa junção de fatores elitizou o Carnaval, festa democrática por essência.
 
​Volta e meia ouço amigos e conhecidos ou mesmo pessoas nas mesas de bares e restaurantes falando que já compraram senhas e ingressos para festanças carnavalescas em Pipa, São Miguel do Gostoso e mesmo Natal. 
 
Repito: Um direito dessas pessoas. Curte quem quer e pode. 
 
Mas, também repetindo: A falta de eventos bancados pelo poder público e o número de festas particulares farão deste Carnaval o menos democrático da história do país, justamente em um momento em que a democracia vem sendo tão atingida.
 
Solução? Não tenho. Mas, a percepção de que esse será o ´Carnaval dos privilegiados`, dos que podem pagar por camisetas, camarotes, abadás e open bar, é bem desagradável.
 
Triste Brasil que por mais um ano não terá sua festa mais democrática nas ruas. É correto que assim seja. Mas, não é justo. Uma pena.