Eliade Pimentel

14/02/2022
 
De esgotos a céu aberto e outras omissões públicas
 
Eu tenho três endereços e percebo diariamente a omissão das respectivas prefeituras com relação à qualidade de vida da população: Baía Formosa, Natal e Parnamirim. São lugares lindos e que deveriam ser muito aprazíveis para morar, trabalhar e viver. Sendo que o poder público nesses lugares é extremamente omisso com as coisas que deveriam ser minimamente cuidadas. 
 
Esgotos a céu aberto, obras públicas sem nenhuma placa para informar o que está havendo no local, muito menos se tem ou não o devido licenciamento, transporte público inoperante, escasso, sem horários certos, falta de cuidados com o meio ambiente, coleta irregular de lixo etc, etc, etc. Eu tento não enxergar as coisas erradas, porém, mesmo que eu vivesse dentro de uma bolha, seria impossível não me deparar com as omissões públicas.  
 
Vamos começar por Natal, a capital. Esses dias, tivemos de estudar a logística para minha filha se deslocar a uma nova atividade e, concluímos que é quase impossível contar com linha de ônibus Candelária via Alecrim. Dois bairros tão próximos, tão centrais, tão frequentados e quase não conectados entre si. Ao mesmo tempo, tenho ouvido falar em mudanças nas linhas, para pior, que eu saiba, se é que ainda é possível, visto que as linhas disponíveis são insuficientes. Notem que listei apenas um ponto fraquíssimo de Natal. 
 
Se formos para o esgoto que escorre por todo canto (argh, que nojo eu tenho de andar pelas ruas e sem querer meter meu pé na lama resultante da água servida que escorre de casas e estabelecimentos comerciais). Seja na capital, seja em Parnamirim, seja em BF, os esgotos escorrem rua abaixo em direção a rios e mares como se vivêssemos ainda na era medieval.  Em todos esses lugares, tenho ouvido falar em obras inacabadas de saneamento básico. Como diriam nossas avós, “comem o dinheiro” e não resolvem os problemas. Um verdadeiro absurdo. 
 
O meio ambiente, que nos dá o sustento através da terra, quase ninguém respeita. Em Baía Formosa, o campeão Ítalo Ferreira, um cara aparentemente neutro politicamente (ele quase nunca expõe sua opinião publicamente), andou dando uma alfinetada na gestão municipal de sua cidade. Sim. Falou e disse e eu fiquei muito feliz que o nosso ouro olímpico tenha falado da desorganização e da sujeira da cidade. Um ano atrás, a prefeita Camila Melo e seu pai, Nivaldo, que foi nomeado por ela para ser o secretário de obras, quebraram a marretadas uma obra pública, junto a alguns correligionários e vereadores. 
 
Já se passou um ano e o local continua inacabado. Alegaram que a quebradeira foi motivada pela mobilidade urbana.  Sendo que ninguém fiscaliza nada e a falésia que fica na rua quebrada corre sério risco de cair, de deslizar e causar um sério acidente, porque a prefeitura não fecha logo a via para evitar o tráfego de carros pesados. A secretária do meio ambiente disse que colocou placas proibindo estacionar, mas pelo visto ninguém respeita, ninguém fiscaliza e é comum estacionarem rente à falésia.
 
Para completar, o engenheiro agrônomo que responde como secretário de serviços urbanos e obras públicas, o Painho da filhinha que não se tocou de que ela própria é a prefeita, sempre que está no poder (ele foi prefeito por duas gestões) tem o hábito de realizar podas drásticas nas árvores da cidade. Em dezembro e janeiro, em pleno veraneio, foi difícil não sentir calor de 300 graus (não tinha sombra nenhuma para amenizar). 
 
Ah, outro dia um cidadão foi contratado para cortar uma árvore da pracinha do mirante e usou o nome dele para justificar o ato. Claro, quem quer cortar árvore agora na cidade diz logo que o Dotô mandou ou autorizou. Quando eu questionei ao secretário, ele foi bem ríspido: eu não mandei cortar nada. Diante da escusa, respondi solenemente: então, por favor, corra para mandar parar, pois ele usou seu nome. 
 
Depois, recebi a notícia de que o serviço havia sido interrompido. Ok. Mas, não vou parar por aqui. Queremos que vocês acabem com o esgoto que escorre para o mar e que tomem conta da praça que está abandonada, diante de um dos principais cartões postais da cidade.  
 
Em Parnamirim, demorei, mas cheguei: a prefeitura iniciou a terraplanagem do terreno para onde será realocada a Feira de Frutas, porém, não colocou nenhuma placa para informar do que se trata, qual o prazo para entrega da obra, ou seja, apenas estamos vendo as máquinas para lá e jogando terra, a qual não sabemos nem de onde vem.  Enquanto isso, a feira continua no mesmo local, ocupando um espaço que deveria ser de convivência da população. 
 
Lá na orla de Cotovelo, só para fechar meu rol de reclamações, a prefeitura de Parnamirim negou o alvará de funcionamento para a Feira Recriar Pium, a charmosa Feira da Lua, porque os proprietários de casas e apartamentos da praia, os chamados veranistas, alegaram que não querem “gente pobre” circulando no local (isso foi dito, “printado” e divulgado para a comunidade). Ou seja, eles mandam e a prefeitura obedece. Acorda, Taveira!