Wellington Duarte

21/01/2022

 

Onde estão as oligarquias?

Há um grande movimento, de pouca visibilidade, na composição das chapas majoritárias (governador e senadores), na terra de Poti. Boatos, fuxicos, postagens falsas (e verdadeiras) e notícias plantadas fazem parte, como desde sempre fizeram, da luta eleitoral do Rio Grande do Norte, que é um componente da luta política vivida no cotidiano de cada um dos 3,6 milhões de norte riograndenses.

O grande questionamento se dá a partir do pressuposto de que a governadora Fátima Bezerra, uma inegável liderança do Partido dos Trabalhadores (PT), está em permanente contato com as chamadas “velhas lideranças”, as raposas políticas que se mexem dentro dos bastidores da nossa política. Mas as raposas são vistas como “velhas” e “carcomidas”, merecendo, portanto, o desprezo da esquerda. De tão velhas, devem ser desprezadas e a sociedade, entendendo esse anacronismo, vai negar-lhes o voto.

A “vontade” de tornar a estrutura política e social diferente do que é agora, está no campo dos desejos. Não se muda uma superestrutura histórica, sem as bases objetivas, com ranger dos dentes. As raízes oligárquicas estão presentes no nosso dia a dia. Está nos nomes das ruas, das escolas públicas e privadas, dos cemitérios, teatros, etc. Está no nome dos nossos municípios, dos nossos distritos e localidades; nas festas populares; nas rezas e cultos. Está nas emissoras de rádios tevês. Está presente nas redes sociais.

Não se concebe, pelos atos e desejos, “apagar” os milhões de votos que as oligarquias têm, quer seja para vereadores e prefeitos; deputados estaduais e governadores; deputados federais e senadores.

Nas eleições para o governo estadual, em 2018, as velhas oligarquias, concentradas nas candidaturas de Carlos Eduardo Alves e Robinson Faria, 44,3% dos votos, contra 46,2% dados a Fátima Bezerra, que se aliou a vários pequenos chefes locais e contou com a dissidência de oligarquias localizadas no Oeste e até no Seridó.

No caso dos senadores, à exceção do musculoso Styvenson, cuja candidatura foi alimentada por uma boa soma de recursos empresariais, as chamadas “candidaturas tradicionais”, como as de Geraldo Melo e Garibaldi Alves Filho, abocanharam 758 mil votos, 26,1% dos votos válidos. E não devemos desconsiderar que dos mais de 660 mil votos dados a Zenaide Maia, vieram de grotões eleitorais conservadores. As candidaturas “de esquerda” (Alexandre Motta e Telma Gurgel), não chegaram a 9% dos votos.

Dos 10 deputados federais mais votados, 7 estão ligados às estruturas oligárquicas locais, 2 eram da esquerda petista e 1, uma figura patética erguida dentro do bolsonarismo, tem raízes no voto dos militares, reacionários e evangélicos bolsonaristas. O mais votado, Benes Leocádio, com seus mais 125 mil votos, está ligado aos métodos “tradicionais” da política e tem muito bom trânsito entre os grupos oligárquicos locais.

Se olharmos os deputados estaduais eleitos veremos de forma claríssima o DNA oligárquico do RN, com seus rebentos e chefetes políticos locais sendo os mais votados. Não há grandes mudanças na composição da Assembleia Estadual do RN há décadas, a não ser que olhemos a eleições de 2 ou 3 deputados do campo progressista, como avanço.

Entender o papel, ainda presente, das oligarquias, com seus tentáculos em todos os setores da sociedade, significa forjar alianças que enfraqueçam esse grupos, usando sim recursos maquiavélicos e, chegando ao governo, forjar uma governabilidade que permite que os setores populares possam, enfim, participar da construção do RN.