Ana Paula Campos

29/12/2021

DESTRUA OS ÍDOLOS

Por Carlos Melo

 

Tive a honra de fazer dois cursos com este filósofo, que tem contribuído muito para mudar a minha forma de ver e pensar o mundo. Carlos Melo é um intelectual negro combativo e ao mesmo tempo sensível. É com imensa alegria que hoje divido com vocês uma de suas reflexões. Boa leitura.

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O psiquiatra e filósofo martinicano Frantz Omar Fanon, nos diz em sua obra “Os Condenados da Terra", que: “O mundo colonial é um mundo maniqueu”. Ou seja, um mundo dividido simplesmente entre Bom e Mau.

O que proponho com este pequeno texto, é apenas uma reflexão sobre esse “mundo maniqueu” e como ele possibilita a criação de ídolos, e assim, contribui para a manutenção de uma estrutura social baseada no “pensamento colonizador”.

Vale ressaltar que esta reflexão surge após a leitura de um texto escrito por Geni Nuñez (@genipapos). Dito isto, voltemos às análises de Fanon sobre o mundo colonial.

Ainda na obra “Os Condenados da terra”, Fanon nos diz que:

“<>, não é um paradoxo, dado que o colonialismo é justamente a organização de um mundo maniqueu, de um mundo dividido em compartimentos. [...] No plano do raciocínio, o maniqueísmo do colono produz o maniqueísmo do colonizado. À teoria do <>, responde a teoria do <>. [...]”.

A lógica dualista apresentada por Fanon, nos permite refletir sobre a criação de ídolos. Nossa política, principalmente a política partidária, está totalmente alicerçada na ideia de ídolos e nessa dualidade entre o bem e o mal absoluto. Uma dualidade que está alicerçada no "pensamento colonizador".

A criação de ídolos, nos impede de desenvolver uma estrutura social que seja baseada em equidade e que tenha o objetivo de desenvolver a autonomia dos sujeitos que compõem esta sociedade, portanto, impede a ideia de autogestão. Autogestão tem a ver com liberdade e com o rompimento das lógicas coloniais.

Como não disponibilizamos de espaço para um texto maior e mais explicativo, encerro essa reflexão com mais uma citação de Frantz Fanon:

“Ser responsável em um país subdesenvolvido é saber que tudo descansa na educação das massas [...]. É contribuir com todas as forças para a compreensão das massas de que tudo depende delas, [...], que não há qualquer homem ilustre responsável por tudo, que o demiurgo é o povo e que as mãos mágicas são unicamente as mãos do povo”.

 

Biografia

 

Nascido em Fortaleza (CE), em 20 de Março de 1988, Carlos Melo é pesquisador de Filosofia Ubuntu e De(s)colonialidades; Escritor; Professor; Produtor Cultural; Idealizador do Projeto Descolonizando Pensamentos; Idealizador e Editor da Pluriverso Edições Independentes; Estudante de Licenciatura em Filosofia pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).