Wellington Duarte

04/12/2021

 

A chegada do “terrivelmente evangélico” ao STF : o fim do Estado laico?

 

Um sujeito que se alegra, ao que parece, em ser taxado de “terrivelmente evangélico”, não parece ser uma pessoa que olha para o Estado laico com o respeito que deveria ter. André Mendonça, esse ser terrível e evangélico, agora é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), chegando debaixo da asa do Mandrião, a quem serviu com muita vontade, quando esteve à frente da pasta da Justiça.

A comemoração, feita dentro de um espaço republicano, na casa reservada ao presidente da república já seria escandalosa sobre todos os sentidos, mas a sem-vergonhice desse governo não tem limites e um exemplo concreto é a participação do chafurdento Silas Malafaia na comemoração. Não podemos deixar de citar que pastores subiram ao monte Roraima para torcer para que André Mendonça fosse aceito pelo Senado.

Mendonça não precisava, é verdade, vestir indecorosamente a pele de cordeiro na sabatina, com lorotas sobre o respeito a laicidade do Estado, já que como ministro nunca deixou de ressaltar a natureza fundamentalista, e o fazia com desenvoltura. No Senado virou um republicano laico.

Na história do Senado não há a tradição de recusar um nome proposto pelo presidente da república para o STF, ou seja, Mendonça pode reclamar do gelo que levou de Davi Alcolumbre, que cozinhou até quando pode, a sabatina do pastor.

Mas não sede entrar em pânico com a entrada do “terrivelmente evangélico” no STF, pois geralmente os que entram nesse espaço passam por algumas mudanças, bastando ver o que os ministros indicados por Lula e Dilma, produziram contra eles, sendo que alguns deles se tornaram “lavajatistas” e devem, inclusive, estar comemorando a candidatura de Moro.

O fato é que, embora não esteja vinculado diretamente a estrutura do governo federal, os fundamentalistas cristãos se espalham no espaço burocrático, sendo que um está destruindo a ciência e a outra deformando o conceito de direitos humanos. Além dessas figuras grotescas há vários comissionados que andam com as bíblias debaixo do sovaco, caçando demônios nos corredores dos ministérios.

A sombria “pauta dos costumes” trazida de pela caterva fascista que se tornou visível nos últimos anos, foi absorvida com muita força, pelos setores evangélicos mais conservadores e estes passaram articular-se, utilizando concessões públicas, o que já um erro, para, não apenas “coletar almas perdidas”, mas também par amealhar apoio desse setor cristão, para a pauta fascista de Bolsonaro. Imagina-se, por conseguinte, que o André Mendonça irá seguir os ditames da “pauta de costumes”, além de obviamente servir como “colchão protetor” do Mandrião.

Enquanto advogado geral da União, Mendonça foi contra a proibição de cultos presenciais por cidades e estados durante a pandemia causada pela Covid-19. Outra pauta alinhada à bandeira ideológica do governo que também foi derrotada no STF foi a oposição à criminalização da homofobia.

Enfim, resta observar que caminho irá seguir esse ser “terrivelmente evangélico”, que se juntara ao medíocre Kassio Nunes, o “Kassio com K”, formando a bancada do Mandrião.

Oremos.