Bia Crispim

05/11/2021
 
Mãe de gato é uma fera
 
Sou mãe de gato. Tenho 11 (8 meninos e 3 meninas). 6 deles foram resgatados das ruas, e os outros 5, são meus netos lindíssimos (os quais eu jamais abandonaria ou daria pra adoção... Afinal, vi nascer, nasceram no meu quarto e... são netos! Meus netos!)
 
Gatos são animais incríveis. São inteligentes, astutos, divertidos, carinhosos (ao contrário do que muita gente pensa). Cada um deles tem uma personalidade muito particular, muito marcante até. Tenho gatos brincalhões, outros antissociais como minha caçulinha Athena e os irmãos Hades, Perseu, Hércules e Aquiles (filhos da mesma mãe), uns que não podem ver um colo (nesse momento em que escrevo tenho um dormindo sobre minhas pernas, seu nome é Morpheus!). 
 
Há aqueles que me dão muitos lambeijos (Zeus, Andrômeda, Morpheus, Aphrodite), que me chamam para vir pra cama à noite (Eros, Apolo, Zeus), que gritam para eu brincar com as bolinhas (e quando essas bolinhas são jogadas para debaixo dos móveis, os gritos de Apolo se intensificam para que eu tenha certeza de que ele sabe onde o brinquedo está e que ele o quer de volta! Ele é o rei da brincadeira e das poses para foto!) 
 
Ah, ele (Apolo) também é narcisista, no dia em que descobriu o espelho, passou a tarde toda se admirando. Mas ele é um gato, memo. E sim, meus gatos têm nomes de deuses, semideuses e outras personagens da mitologia grega. Resquício de muitas histórias lidas na infância.
 
Há dias tão estressantes que a única coisa que quero fazer é correr pra casa e interagir com eles. São meus amigos, meus confidentes, meus amores. Adoram me acompanhar nas atividades todas que faço em casa: aguar as plantas, arrumar os armários, organizar os livros do escritório, preparar aulas, ler, estudar... (Zeus ama sentar no meu colo quando estou tendo aulas do doutorado – vai receber o título junto comigo: Drº Zeus hahahahahahahah!) 
 
A convivência com eles me faz perceber o quanto o silêncio, o descanso, as brincadeiras e os alongamentos são importantes para nossa saúde. Sim, meus gatos me fazem refletir sobre saúde, sobretudo, mental. Fazem-me pensar sobre cuidado: autocuidado e o cuidado com o outro. Fazem-me pensar sobre afeto, conexão e família. A introspecção felina é um ensinamento de autorreflexão. Saibam disso!
 
Acho engraçado ouvir comentários do tipo: “Oooooonze?”, “Aff!”, “Deus me livre!”, “Sua casa deve ser uma bagunça!”, “Eu jamais iria em sua casa!”, “Não gosto de gato!”
Bom... Não posso fazer nada por quem diz isso, até por que quem cria os bichanos sou eu. Não recebo ajuda de ninguém para cuidar dos meus onze babies, portanto, não devo muita satisfação, na verdade, nenhuma satisfação a ninguém.
 
O máximo que posso fazer (se tiver de bom humor) é responder cada uma dessas exclamações: 
Para o assombro de ter 11 gatos, minha resposta seria: “Onze sim. E não crio mais porque não tenho espaço!”;
Para o seu “Aff!”, eu torço a cara. Faço um muxoxo!;
“Deus me livre” da sua incapacidade de entender a maravilha que é conviver com gatos;
E quanto aos comentários sobre minha casa, não me lembro de ter convidado ninguém a entrar. Principalmente se não gosta de gatos.
 
E, se você for convidado/a/e a vir em minha casa, não é obrigado/a/e a aceitar, e se aceitar ou não, seja no mínimo gentil. Lembre-se também de outra coisa: Meus gatos moram na casa que você está visitando. A visita é você! Então, respeite os donos da casa!