Eliade Pimentel

02/11/2021
 
Menos é mais e os efeitos midiáticos da pandemia 
 
Quem sou eu para criticar bandas novas que fazem sucesso com músicas antigas. Eu, ouvinte de rádios que só tocam flashbacks e que só dá o play em listas do século passado. Incomodo-me, porém, com o efeito midiático que transforma coisas do passado em novidade de luxo para incautos de plantão. E ainda taxa o velho livro reencapado com preço de produto novo. Tem sido assim há anos. As pessoas que estão sendo reveladas em projetos autorais não recebem o mesmo tratamento que alguns novos artistas, famosos por recriar os animados shows de sucessos.
 
O caldeirão do ‘show business’ brasileiro contém elementos que se alimentam entre si, os próprios ingredientes se misturam e criam sucessos instantâneos. Detalhe: a maioria com matéria-prima processada por outras mentes criativas, de outras épocas. Peneiram e moldam o famoso flashback, que ganha ares de requinte em outras vozes e outras formatações musicais e estéticas. Reúne a moçada que muitas vezes não sabe ir até à fonte e que encurta o caminho até a conveniência. 
 
O que me chama a atenção com relação às bandas e aos artistas ‘mainstream’: quem são os ‘sorteados’ para estar no topo, quais são e por que são esses ou aqueles que despertaram o interesse da mídia e do público? Quais características lhes foram ressaltadas? Eu me pergunto justamente porque às vezes não vejo diferença entre um grupo de pagode que tocou no casamento da minha sobrinha ao atual recém alçado ao topo do sucesso, que faz show com mídia super mega dirigida e alcança seu público de modo certeiro. Menos é mais... O que seja entre tantos nomes menos ou mais óbvios, como o antigo quase do passado Monobloco, que teve seus dias de fama por Natal bem prolongados, e chegou a faturar bastante nas programações da cidade do Natal. 
 
Ah, nem sei de verdade porque estou puxando esse assunto. Cada um ouve o que quer. Okay. Certo. É que ainda sou do tempo de dar os créditos a quem de direito e desde que vi o multiartista de Pernambuco Antônio Nóbrega cantando versos de Chico Antônio, o coquista potiguar, como se fossem de domínio público, então me avexo diante de qualquer situação em que (pre)vejo como apropriação indébita. Hits célebres de compositores brasileiros, de diversos gêneros e ritmos, se transformam em hinos de uma juventude alheia aos fatos. Sendo assim, não terão acesso ao subtexto que se refere à época da composição e ao autor da canção.   
 
Todos os finais de semana e véspera de feriados há shows e festas na Arena das Dunas e em outros espaços transformados em casas de espetáculos, são tantos nomes, há (bastante) procura por ingressos, que muitas vezes têm um custo bem alto. É assim que funciona o mundo dos negócios da música brasileira. Os nomes surgem como uma metralhadora giratória. Não vou me incluir entre os que se opõem a João Gomes, o jovem do interior de Pernambuco que viralizou no tik tok, a rede da sua geração, e brilha com músicas de próprio punho. Um poeta vaqueiro. Nunca o vi ao vivo, não sei o repertório, mas o garoto me conquistou.