Eliade Pimentel

09/08/2021

 

"Se o campo não planta, a cidade não janta" 

 

Muitos anos atrás, fui ao Rio Grande do Sul e  fiquei muito orgulhosa de ver que o selo de certificação dos melões, expostos num supermercado, revelava a origem potiguar dos produtos, consequência da fruticultura irrigada da região Oeste. Quase três décadas depois, quis o destino que eu integrasse a equipe de comunicação do Governo do RN, na gestão da governadora Fátima Bezerra. Pois é, hoje peço permissão para expressar minha admiração por essa professora que está dando aulas de governabilidade.

Quando menos se espera, somos surprendidos por uma enxurrada de ações voltadas ao desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Norte. Fazia uns dias que eu ouvia o pessoal lá do meu trabalho falar uma sigla que era novidade para mim, até então: Diba, que significa Distrito Irrigado do Baixo Açu. A agenda foi crescendo, o rol de ações e pastas envolvidas também, até que o chegou o grande dia. A agenda organizou tudo e lá fomos nós, acompanhar nossa gestora àquela região.

Qual não foi minha surpresa ao me deparar com a inauguração de uma grande obra estruturante, a entrega de 21 km de canal de irrigação, iniciada há mais de 20 anos, que finalmente foi colocada a funcionar com direito a tudo o que é necessário, tais como rede elétrica e as bombas. Na sede da associação que congrega as cooperativas, havia um grande rebuliço, entre pequenos e médios produtores, além de agricultores familiares sem-terra, de um acampamento próximo. Intermediei entrevistas e só via o povo animado. 

Não foi a primeira, tampouco será a última obra que a professora Fátima Bezerra entregará ao estado potiguar em seu mandato. Ela é danada. O que disse em campanha, está sendo cumprido. O que diz em agendas de trabalho, vai lá e mostra serviço na sequência. É um governo resolutivo. Os anfitriões montaram uma mesa com frutas produzida por ali no Vale do Açu: melancia, banana, maracujá e limões. Estava tudo lindo, refletindo as potencialidades daquela terra tão fértil.

As coisas que mais me chamaram a atenção: as obras finalizadas estavam paradas havia mais de duas décadas; a ação tão importante, que aumentou de 2,7 mil para 5,7 mil hectares de área irrigada, custou uma cifra muito pequena - R$ 8,3 milhões - se considerado o benefício e a quantidade de empregos que vai gerar, cerca de 6 mil empregos diretos, com capacidade para produzir 90 mil toneladas de alimentos e faturar por ano algo em torno de R$ 120 milhões.

Quando me inteirei de tudo aquilo, fiquei a pensar: onde estavam os outros governantes? Por que não tiveram a mesma sensibilidade? Eu sou uma entusiasta da agricultura como vetor para o desenvolvimento econômico. E claro, sinto-me muito conteplada de acompanhar uma gestora atenta, sensível às necessidades da população. Com tão pouco, faz-se tanto pelas pessoas que vivem no campo. São tantas ações inovadoras, tantas ações que promovem a fixação do homem e da mulher no campo.

Existe uma frase que os sindicalistas rurais costumam dizer: "se o campo não roça, a cidade não almoça; se o campo não planta, a cidade não janta". Então, tudo o que precisamos é valorizar o que é simples, o que é do povo e para o povo. Em breve, quero retornar para ver o Acampamento Antônio Batista, coordenado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), ser transformado em um assentamento, conforme a governadora assegurou em sua visita, porque pelo que podemos concluir, reforma agrária também se faz por aqui.

Desde menina eu já tinha esse espírito socialista, e desde sempre eu ouço  falar em reforma agrária, e hoje em dia, quando vejo esses agricultores acampados em beira de estrada, ao mesmo tempo em que vejo tantas fazendas desertas, me dá uma dor no coração me deparar com tanta injustiça social, com tanta terra nas mãos de tão poucos. Vamos acabar com isso, professora. Continue dando aula de como se governa direito, de como se governa para todos e todas, e não apenas para os ricos.