Wellington Duarte

07/08/2021
 
A Fúria do Mandrião contra o STF transforma o país na República do Esculhambaquistão
 
 
Nunca existiu, na história republicana desse país, um chefe de Estado mais aviltado do que a presidenta Dilma, alvo das mais baixas provocações, xingamentos e que teve sua figura pessoa jogada na sarjeta por uma parte da população que parecia aquelas hordas descontroladas que, se tivessem acesso físico à presidenta, teriam certamente provocado agressões à mesma.
 
A presidenta, que foi deposta por uma manobra política iniciada, é sempre bom lembrar, por um Aécio Neves derrotado e que afirmou em alto e bom som que o segundo mandato dela seria um verdadeiro inferno, atravessou todo esse calvário com altivez de quem nunca cometeu crime algum, que combateu a corrupção, e por isso mesmo virou alvo da gangue de Eduardo Cunha e que foi “cozinhada” pelo vice-presidente, que manobrava enquanto ela tentava defender seu frágil mandato.
 
E o que vemos agora? Um presidente da república completamente fora de controle, apavorado porque sabe que há fortes indícios que será envolvido em processos judiciais devido ao seu comportamento durante a pandemia, apela para a perturbação, o chafurdo e espalha o banzé.
 
Bolsonaro, presidente da República Federativa do BraZil, chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Roberto Barroso, de um palavrão de baixo calão. Antes, num patético encontro com empresários disse que o STF quer a volta da corrupção e apontou a metralhadora verbal para o ministro disparando impropérios de toda ordem. E ontem ameaçou o ministro do STF Alexandre Moraes com a frase “sua hora chegará”, típica de miliciano.
 
O destrambelhamento do presidente chegou a tal ponto que o presidente do STF, Luís Fux, que tem tido uma paciência fora do comum com as atitudes inapropriadas do chefe de Estado, desistiu de “domesticar” o “cachorro louco” e desistiu de se reunir com ele, o que deixou o Mandrião mais enfurecido.
 
O desequilíbrio do presidente é patente e deixa a república em dificuldades, pois, ao invés de combater a pandemia, passou a chafurdar em cima de uma “cruzada” imbecil sobre o voto impresso, uma coisa que, em tempos normais, seria alvo de piadas.
 
Acostumado a criar crises, Bolsonaro não cansa de produzi-las, mas só faz porque tem a “proteção” do procurador geral da República, Augusto Aras, que fica olhando para as nuvens enquanto o presidente chafurda a democracia. Essa atitude de Aras provocou, inclusive, a reação de 27 subprocuradores gerais da República, que parecem ter se cansado da inação de Aras e exigem que procurador geral exerça sua função.
 
O Mandrião sabe que não tem a força dos tanques para consumar seu golpe, embora tenha passado seu mandato comprando o apoio das forças armadas, mas ele esqueceu que estamos em 2021 e não em 1964, e não há clima propício para que os militares possam destruir a democracia, como aliás parecem desejar. Mas querer e poder são coisas diferentes.
 
Ele, na verdade, aposta no “quanto pior melhor” e na “insurreição” das polícias militares, imaginando que essas corporações, hoje realmente fora de controle, se alinhem ao presidente num golpe. O problema, para os golpistas, é quem nem todas essas corporações estão organizadas, a tal ponto, para terem a força para derrubar o regime democrático, embora flertem com isso. 
 
Ciro Nogueira, tratado como um “apaziguador da república”, não tem força nenhuma para colocar uma “coleira democrática” no tresloucado presidente que adora expor seu nazi-fascismo, aliás acho que se ele pudesse, viveria com aquela farda que Mussolini e Hitler usavam para mostrarem poder.
 
Continuaremos, infelizmente, a assistir o prisiaca espalhando sua fúria e ameaçando a democracia e, sob a proteção de Aras e do patético presidente da Câmara de Deputados, Artur Lira, e apoiado por sua caterva, cada vez mais ridícula, o que prova que nossa democracia, sequestrada por milicianos fanáticos, de natureza nazi-fascista, ainda sofrerá muito para ser recuperada.