Wellington Duarte

24/07/2021
 
O “liberalismo” tacanho dos deputados estaduais
 
 
Você já teve a curiosidade de ver as declarações dos deputados estaduais, inimigos declarados do “socialismo” e do “petismo”, que para alguns mais carentes em cognição, assemelha-se ao “comunismo”? Você já identificou os nossos “liberais” e já conseguiu ligar o pensamento, se que eles têm, com os princípios filosóficos do liberalismo? Você já conseguiu, enfim, identificar a linha de pensamento da maioria esmagadora dos nossos deputados estaduais?
 
Se não conseguiu responder a nenhuma das três perguntas, não se assombre, pois não há resposta. Os nossos briosos deputados estaduais gastam mais sua verve em busca de acolhimento do governante de plantão, e quando seus acenos e pedidos não são atendidos, tornam-se opositores fervorosos. Talvez eu esteja sendo deselegante, mas chamar de “liberais” ou “conservadores” estes deputados é forçar a barra, pois o que esses políticos fazem, sem constrangimento, é acomodar-se aos cenários, o que podemos taxar de “pragmatismo”, “oportunismo” ou, como alguns mais exaltados proferem, “cretinos” e “vendidos”, o que me parece ser um tanto quanto exagerado.
 
Mas, querer que a política local, assim como a nacional, apresente representantes do povo com uma ideologia clara e cristalina e que, por esse motivo, mantenham princípios tanto nos discursos, como nas ações, é uma quimera. A nossa estrutura política nasceu baseada no mais abjeto clientelismo e os deputados, desde a Velha República, orientam suas posições políticas, em primeiro lugar pelo famigerado “apadrinhamento político” ou pelo mais escrachado pragmatismo e isso se vê até hoje, mesmo com algumas anomalias patéticas que surgiram depois de junho de 2013, é a continuidade desse “modus operandis” de agir.
 
Louvo o esforço dos agentes políticos que, obrigados pela situação conjuntural, tem que se aliar a algumas figuras que estão apenas ecoando o uivo dos seus fantasmas familiares, ou seja, são herdeiros de “famílias políticas” que, afora alguns “acidentes progressistas”, reina a mediocridade do voto distrital sem distrito, o que gera bolsões eleitorais que são negociados de dois em dois anos, nas barbas da sociedade que vive clamando por “honestidade na política”. Pura cretinice!
 
Obviamente que os políticos mais progressistas e aqui incluo a atual governadora Fátima Bezerra, são obrigados a conviver e negociar com esses fantasmas e viver sendo assombrando pelo clientelismo que essas criaturas soturnas carregam e, volta e meia, essas figuras se aliam aos seus “patrocinadores”, no caso aqui o algoz dos trabalhadores e o puxa-saco bolsonarista de plantão, e buscam fustigar o governo com uma Comissão Parlamentar de Inquérito picareta e é hilário ver a “preocupação” desses deputados com a “honestidade das contas públicas”.
 
Classificar esses deputados como “liberais” ou “conservadores”, no sentido clássico, é uma aventura sem sucesso. Se os tratarmos como “negociantes pragmáticos” que balançam de um lado para o outro, dentro de um espaço em que os “progressistas” são considerados “intrusos” pois “estragam” as negociatas que todo potiguar está careca de saber.
 
O reacionarismo de alguns destes é mais um teatro do que propriamente um princípio ideológico firme e de princípios, pois a pose de “honestos” e “preocupados com o povo potiguar” é patética e basta procurar na memória o posicionamento dessas figuras e veremos o seu comportamento, mesmo os que “sempre se colocaram no mesmo lado”, são basicamente auxiliares diretos de chefes oligárquicos, decadentes ou não.
 
Se definir “liberalismo” no BraZil já é difícil, no caso do Rio Grande do Norte é preciso, antes de mais nada, entender as bases materiais desse poder político que controla todos os setores do aparelho estatal local; que está presente no Legislativo e no Judiciário; e que se espalha pelos municípios.