Wellington Duarte

19/06/2021
 
Vai se desenhando a batalha em favor da vida
 
 
As diversas pesquisas, nacionais e locais, que vem sendo publicadas, acabam por produzir longas discussões e apreciações dos milhares de “especialistas eleitorais”, que partem de uma análise muito contaminada pelas vontades e desejos, do que pela realidade fria.
 
Por outro lado, a movimentação de agentes políticos conhecidos, como Marcelo Freixo e Flavio Dino, causam frisson nas diversas militâncias, com aplausos, acusações, reclamações, trocas de farpas, etc. E nada causa mais atenção do que a movimentação, bem resguardada, de Lula e do PT, o maior partido do arco esquerda, e que exerce sua hegemonia, dentro dos seus interesses e perspectivas. Nada anormal.
 
Falamos do campo da Esquerda, porque no arco da direita e da extrema-direita, o Mandrião se impõe. Ele capturou todo o segmento extremista e aposta no raquitismo dos partidos mais tradicionais da direita, com destaque para o DEM, que funcionou como suporte do PSDB entre 1994 e 2018 e agora se encolhe, pois, suas principais lideranças, todas conservadoras, ressalte-se, aliaram-se a Bolsonaro.
 
E daí? Pergunta aquele cidadão, desempregado e com o pé na fome. A Direita oferece a essa pessoa o desalento e sua redução a miserável, dependente da filantropia e mergulhado num mundo que nada lhe oferece ou oferecerá. A direita e a extrema-direita oferecem o que sempre ofereceram e o que, na aparência, parece ter mudado é que a extrema-direita assumiu a dianteira desse arco ideológico e pouco se prende a estruturas partidárias, o que acaba enfraquecendo as tradicionais organizações conservadoras e liberais.
 
Na chamada “esquerda”, um dia se acorda em festa, com as pesquisas dando vantagem eleitoral para Lula, e no outro entra em depressão, pois Bolsonaro faz movimentos que apontam para um Golpe de Estado, não no sentido clássico, e sim de “tipo novo”, que é uma maquinação que tem como eixo a desestruturação das instâncias republicanas e, sem esse anteparo, o Mandrião golpeia a democracia em cima de um “camburão”.
 
No centro dessa disputa há, vejam só, uma pandemia, que já às portas das QUINHENTAS MIL MORTER, SEIS MIL no RN, onde toda semana Rogério Marinho vem, com Fabio Faria a tiracolo, inaugurando obras e fazendo o que se faz nesse país desde os tempos das disputas entre conservadores e liberais. 
 
A extrema-direita fascista usa a pandemia negando-a e confundindo a população, pois o presidente mantém sua postura negacionista, enquanto seu ministro da Saúde tenta costurar um esquisito “meio termo”. Mas ao mesmo tempo exalta a vacinação, como uma política pública do governo federal, além de arquitetar uma patética nova “ajuda emergencial”, mirando as camadas mais pobres. E faz isso todos os dias.
 
Já a Esquerda tenta usar a Pandemia para mostrar o quanto é nocivo o governo federal, o que é correto, a meu ver, mas se afasta da rua, quando se mete em intermináveis reuniões e conchavos para “dar um vice para Lula”, dado que ele já parece ungido, a fórceps, pelo PT, e demora em apresentar algo para as camadas mais pobres da população e mesmo a classe média, que continua mergulhada na sua própria distopia. O “fora Bolsonaro” pode até animar a militância e os mais orgânicos, mas só se realizaria com a mudança de atitude dos deputados federais, a maioria deles já devidamente compradas pelo Mandrião.
 
Aquele cidadão, citado acima, e que representa boa parte do eleitorado, está cansado, não da “política”, mas da sua realidade. A sua sobrevivência particular é a prioridade e ele não tem “tempo” para se debruçar sobre as especificidades e particularidades de cada movimento do xadrez político que envolve os democratas e os golpistas.
 
E a sua realidade, se impondo sobre a luta política, podendo beneficiar os que se apresentam como “antipolítica” e apontam para a “solução final”, que é a naturalização da morte e a cristalização do pobre como receptáculo de voto para Bolsonaro e sua horda, que promete despejar bilhões de reais para atingir seus objetivos.
 
Espera-se que o campo democrático perceba que a prioridade é derrotar o projeto antivida de Bolsonaro, ou corremos o risco de: termos um golpe e o fechamento final das instituições republicanas, já bastante enfraquecidas; haver uma vitória de Bolsonaro, o que seria catastrófico para a nação.