Wellington Duarte

29/05/2021
 
Um presidente contra a população do seu país? Bem-vindo à Terra Brazilis
 
 
O depoimento do médico Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan desde março de 2017, esta semana, na CPI do Senado, vislumbrou o que tínhamos como certo, mas que precisa de uma prova material: a criminosa sabotagem de um governo contra seu próprio povo.
 
Não foi nada surpreendente o que o médico e CIENTISTA disse sobre o comportamento abjeto dos gestores públicos federais, cúmplices desse genocídio estatal, mas revelou o quanto isso criminoso. Aliás, no dia anterior, a também médica, Mayra Pinheiro, apresentou ao país um personagem tosco que, sob o signo da mais completa ignorância, tentou, sem sucesso, defender a tese absurda da cloroquina e mentiu de uma forma tão descarada que nos permite dizer que os gestores públicos envolvidos com o (des)combate à pandemia tem um discurso unitário: a mentira.
 
Ao lado dessa constatação temos notícia de que há uma profusão de atestados falsos, aliás venda, termo esse mais correto, ao preço unitário de R$ 20, revelando o grau de deterioração das relações sociais que existem no nosso depauperado país.
 
Com a “cepa indiana” já presente em território pátrio, novamente ergue-se o fantasma de uma nova onda de contaminações e morte, em meio às crescentes pressões vindas de todos os lados, para a retomada de atividades, econômicas ou não, e com os governadores e prefeitos mais uma vez na alça de mira do Mandrião, que, cada vez mais ensandecido, urra todos os dias contra as medidas restritivas que os gestores públicos sérios vêm tomando e a tendência é piorar.
 
Hoje, 29, teremos manifestações por todo o país, cujo mote principal é “fora Bolsonaro” que, embora pareça ser utópico, nesse momento, revela o desespero que levou diversos matizes políticos e ideológicos a unir-se, e só que conhece a história dos movimentos sindicais e sociais sabe o quanto é difícil unir esse mosaico. O correto é dizer que o mote principal é “pela vida”, com suas palavras de ordens ajustadas.
 
Estamos à beira da metade do ano de 2021 e o que parecia inacreditável em março de 2020, a longevidade dessa pandemia, agora apresenta-se como real e concreto e a vacinação “made in Brazil” aponta para uma recuperação sanitária muito lenta; uma recomposição das relações sociais à base do medo; e uma gradual retomada das atividades econômicas, sob as bases de uma ruína sem precedentes na história do BraZil.
 
As pessoas tendem a imaginar que tudo irá ser “resolvido” quando (quando?) a vacinação estiver em andamento e que o “novo comum” irá erguer-se poeticamente e, no dia seguinte, as coisas seguirão seu curso. Obviamente que isso não acontecerá e as pessoas, principalmente aquelas que ainda continua entorpecidas pelo veneno da ignorância, verão o pesadelo da realidade.
 
Nesse mundo bizarro, as forças democráticas estão numa luta encarniçada, cuja característica é o da resistência, e, além de salvar vidas, fundamental nesse momento, é mais do que necessário começar a buscar alternativas e soluções para o cenário de guerra que certamente teremos pós Mandrião.